Caminhoneiros param no Rio e MG e pode faltar combustível nos postos

Ato é contra alta do preço do diesel

Caminhoneiros paralisaram as operações nesta quinta-feira (21) nos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais em protesto contra o aumento do diesel e dos impostos aplicados aos combustíveis. Em relação ao ato que acontece em território fluminense, os motoristas se encontram na Reduc, em Campos Elíseos, bairro de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Além disso, o grupo está impedindo a entrada de caminhões nas bases de abastecimento de combustíveis da refinaria. O comércio da região chegou a fechar as portas para evitar tumulto e depredações.

A movimentação é acompanhada por policiais do batalhão da área, o 15º BPM, e, de acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar, até o momento “o ato ocorre de forma pacífica”, sem registro de prisão ou apreensão.

O Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e de Lojas de Conveniência do Município do Rio de Janeiro (Sindcomb) acompanha o movimento e informou em nota que problemas “pontuais” podem acontecer caso o bloqueio permaneça.

“Como os postos revendedores trabalham com estoques reduzidos, em função da queda nas vendas a partir da pandemia da Covid-19, poderá haver problemas pontuais de abastecimento na Cidade do Rio de Janeiro, caso o bloqueio dos caminhoneiros perdure pelas próximas horas”, informou o Sindcomb.

A entidade também afirmou, através da presidente Maria Aparecida Siuffo Schneider, que “a revenda de combustíveis do Rio segue na expectativa da normalização dos carregamentos para a retomada do suprimento aos postos”.

A região conta com bases de abastecimento das principais distribuidoras de combustíveis, como Vibra (BRDT3), Raízen (RAIZ4), joint venture da Shell com Cosan (CSAN3), e Ipiranga, do grupo Ultra (UGPA3), disse o sindicato.

A Petrobras informou “que não há impacto às operações da companhia, em suas unidades operacionais”. 

Bolsonaro promete auxílio a caminhoneiros

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) prometeu nesta quinta-feira (21) pagar um auxílio a 750 mil caminhoneiros para compensar o aumento do diesel. Ele não disse de onde vai tirar os recursos nem a partir de quando o benefício será pago.

“Nós vamos atender aos caminhoneiros autônomos: em torno de 750 mil caminhoneiros receberão uma ajuda para compensar o aumento do diesel”, afirmou o presidente em discurso para apoiadores durante compromisso de agenda feito na cidade de Sertânia, em Pernambuco.

Em setembro, a Petrobras anunciou reajuste no preço do diesel vendido às distribuidoras. Com o reajuste, o preço médio de venda do diesel passou de R$ 2,81 para R$ 3,06 por litro, refletindo reajuste médio de R$ 0,25 por litro. O reajuste entrou em vigor em 29 de setembro.

Apesar da promessa de Bolsonaro, o presidente da ANTB (Associação Nacional de Transporte do Brasil), José Roberto Stringasci, afirmou à Folha de São Paulo que os caminhoneiros não vão desistir de fazer uma greve no dia 1º de novembro enquanto a política de preços dos combustíveis não for alterada. Além disso, ironizou a medida prometida pelo presidente.

“Eles já fizeram até um reajuste no piso mínimo do frete. Mas isso, como se diz no nosso linguajar de motorista, é um ‘melzinho na chupeta’, o famoso ‘tapinha nas costas’ que a categoria já vem levando desde 2018”, disse Stringasci.

Também em entrevista ao mesmo jornal, Marcelo da Paz, representante dos caminhoneiros de Santos (SP), Bolsonaro está blefando. Ele também afirma que a medida não será suficiente para impedir a próxima manifestação porque os caminhoneiros exigem o cumprimento do frete mínimo.

“A gente não aceita auxílio nem quer esmola. Vai precisar mais do que isso para desmobilizar”, afirma Paz.

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