Caio Martins 80 anos. O local de glórias do Botafogo

Antes do Engenhão, estádio era o palco de vitórias e gols inesquecíveis do Glorioso

Quando se fala no Estádio Caio Martins é impossível não citar o período em que o local foi a casa do Botafogo, que passou a jogar em Icaraí a partir de 1988, graças a um contrato de concessão assinado entre o clube e a Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (Suderj).

Nos anos 90 era certo que o estádio se transformava em um verdadeiro caldeirão, e dois jogadores guardam saudades dos momentos vividos no Caio Martins. O ex-goleiro Wagner e o ex-atacante Túlio Maravilha, campeões do Brasileiro de 1995 e do Torneio Rio-São Paulo de 1998.

O arqueiro também participou de outros títulos em campeonatos que tiveram jogos disputados no local, como a Copa Conmebol, de 1993 (Wagner era reserva na ocasião), e o Campeonato Carioca de 1997. Nascido em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, ele morava em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, quando foi contratado. Entretanto, preferiu se mudar para um apartamento próximo ao estádio para facilitar o deslocamento de casa até os treinos. A identificação foi tanta que ele adotou Niterói desde então.

“Todo meu tempo de Botafogo foi no Caio Martins. Cheguei durante a Copa Conmebol, peguei as semis e a final, e fiquei até 2002. Eu morava em Bonsucesso e achava o translado distante, queria uma possibilidade de vir para Niterói, e consegui morar praticamente ao lado do estádio. Agora não tenho pretensão de sair do Niterói”, recordou Wagner.

Wagner foi goleiro do Botafogo entre 1993 e 2001. Foto: Reprodução/SporTv

Perguntado sobre qual seu momento mais marcante no estádio, Wagner não tem dúvidas ao responder: foi sua estreia, em 1993, em jogo contra o Internacional, de Porto Alegre. O ex-goleiro conta que, na época, ele ainda estava sendo testado pela comissão técnica do clube para saber se iria assinar um vínculo definitivo.

“O melhor momento foi a minha estreia ali dentro. Nós vencemos a Conmebol, o Wilian Bacana era o titular e ele também jogava o Brasileiro. Depois da Conmebol, o Botafogo decidiu me testar e fiz meu primeiro jogo no Caio Martins contra o Inter e ganhamos por 1×0. Fiz mais três jogos para consolidar minha contratação em definitivo. Esse jogo eu não esqueço”, relembrou o ídolo botafoguense.

Os laços com Niterói não ficaram restritos ao Caio Martins e Wagner tem investimentos em outras áreas da cidade, como um restaurante no Mercado São Pedro, no Centro, e um quiosque na Praia de Camboinhas, na Região Oceânica. Ele chegou a ter uma frota de taxi nos anos 2000.

Caio Martins batizou Túlio como “Maravilha”

Outro personagem marcante e inesquecível é o artilheiro do estádio, Túlio Maravilha. Maior goleador da história do local, ele fez 61 gols em 61 jogos, média de um por partida. E a estreia dele já mostrava que o atacante iria escrever a história no estádio.

A estreia dele foi no Campeonato Carioca de 1994, em 30 de janeiro, e ele fez três gols logo na estreia pelo Botafogo. O placar foi uma goleada de 6 a 0 sobre o América. Mas o jogo mais marcante para ele foi contra o Campo Grande, onde ele marcou duas vezes.

“Eu recebi na pequena área, driblei dois zagueiros, o goleiro, tirei outro zagueiro da jogada e toquei no gol vazio. Mereceu até uma placa no Caio Martins”, recorda.

A identificação foi imediata e a torcida começou a cantar “Túlio Maravilha, nós gostamos de você/Túlio Maravilha faz mais um para a gente ver”, parafraseando a música Fio Maravilha que Jorge Ben Jor fez ao atacante rubro-negro. A partir daí Túlio se tornou, definitivamente, Túlio Maravilha.

Mas apesar desse golaço ter sido marcante, ele cita outro gol como inesquecível. Foi o que ele marcou na vitória sobre o Palmeiras por 3 a 1 no Campeonato Brasileiro de 1998. O fato é relembrado de forma especial por ter sido no mesmo dia em que o então técnico Valdir Espinosa fazia aniversário.

“O gol mais inesquecível para mim foi um que fiz contra o Palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro de 1998. Foi um chute de fora da área, praticamente do meio de campo. Vencemos por 3 a 1 no dia do aniversário do nosso saudoso mestre Valdir Espinosa. Esse eu guardo na memória por mim e por ele”, relembra Túlio, citando o técnico falecido em fevereiro de 2020, aos 72 anos.

Volta com o time sub-23 em 2012

Em 2012 o artilheiro voltou ao Botafogo para o projeto do milésimo gol da carreira. Quando completou 993 gols, segundo as contas dele, Túlio voltou ao Glorioso e realizou algumas partidas com o time sub-23 no Caio Martins. E ele admite a sensação de tristeza ao ver o estádio abandonado.

“Foi muito triste ver o campo mal tratado, a rede rasgada, e um abandono geral de um palco de muitas glórias, de muitos gols e alegrias que tive de 94 a 98. Esse é um patrimônio de Niterói e do Botafogo que deveria ter sido valorizado pelos responsáveis. Se tivesse investimento, hoje o Caio Martins poderia ser uma grande arena”, comenta.

Túlio também lamenta que o Botafogo tenha decidido devolver o estádio à Suderj, mas afirma entender a decisão do clube pelo grave momento financeiro que atravessa. E ele espera que um dia o local “possa voltar a ser um local de tantas alegras à torcida botafoguense”.

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