Caio Martins 80 anos. Jogos inesquecíveis, gols marcantes e brigas entre estrelas

No dia de ontem (20), o Estádio Caio Martins completou 80 anos de existência. E a inauguração foi com uma vitória do Vasco sobre o Canto do Rio por 3 a 1. O jogador vascaíno Armandinho foi o responsável por marcar o primeiro gol da história do estádio, que foi inaugurado pelo governador fluminense Ernâni do Amaral Peixoto.

O então chefe do Executivo estadual queria que jogos do Campeonato Carioca fossem realizados em Niterói, a antiga capital Fluminense. No local existia um ‘canódromo’, onde aconteciam exposições e corridas de cães, e parte da estrutura das arquibancadas foram aproveitadas.

O nome é uma homenagem ao escoteiro Caio Viana Martins, conhecido nacionalmente por ajudar os bombeiros em um resgate a vítimas de acidente de trem na cidade mineira de Barbacena em 1938, que teve 40 mortos e dezenas de feridos, entre eles o próprio adolescente, que estava com 15 anos na ocasião. Mesmo ferido, ele preferiu ajudar outras pessoas que precisavam de socorro e preferiu caminhar por quilômetros até o hospital.

Elenco do Vasco que venceu a primeira partida da história do Caio Martins, em 1941. Foto: Reprodução/Facebook
Elenco do Canto do Rio que perdeu para o Vasco por 3 a 1 no primeiro jogo oficial do Caio Martins. Foto: Reprodução/Facebook

Atleta que jogava em casa, literalmente

Nascido e criado em Icaraí, um jogador que sempre se sentiu, literalmente, em casa jogando no Caio Martins era Caio Cambalhota. Autor de gols marcantes atuando pelo Botafogo e pelo América, o centroavante revela que a partida mais marcante que fez no estádio foi quando jogava por outro clube, o Campo Grande.

“A melhor partida que fiz foi um jogo que disputei pelo Campo Grande contra a Associação Desportiva Niteroiense, a ADN. A partida era pelo Campeonato Carioca de 1978. O Cantusca tinha um time muito bom na época. Tinha craques, como o Luiz Carlos, que chegou a ter uma passagem pelo Flamengo. Também tenho outras lembranças muito bacanas, como a despedida do Luisinho, meu irmão, do América. Foi em um jogo muito especial que aconteceu aqui em 1987”, recorda-se.

Caio Cambalhota fez história no América e marcou muitos gols no Caio Martins. Foto: Placar/Acervo

Quando questionado sobre a situação de momento do estádio, Caio muda o tom. Esbravejando contra o atual abandono, ele relembra uma série de projetos que apresentou para fazer o espaço voltar a ter utilidade, mas afirma que não houve interesse de nenhuma autoridade política em dar continuidade às ideias apresentadas.

“Sou niteroiense e me dá uma tristeza muito grande ver o Caio Martins nessa atual situação. Niterói largou o estádio pra lá, essa que é a verdade. Já apresentei ideias para o Palmeiras abrir uma espécie de filial aqui, já tentei trazer o América para jogar no estádio há dois anos, apresentei projetos voltados para o Canto do Rio, mas nada teve continuidade. A gente chega para sentar com os políticos e ninguém tem interesse em resolver esse cenário. Já conversei com vereador, com secretário, com tudo quanto é tipo de político. Um monte fala que é nascido em Niterói, que é botafoguense, que vai resolver a situação, mas não fazem nada. Um absurdo ver um local abandonado que poderia estar ativo”, lamenta Caio.

Dos seis gols de Zico em um mesmo jogo aos empurrões entre Renato Gaúcho e Djalminha em um Fla-Flu

Arthur Antunes Coimbra é um nome que também tem tudo a ver com o Caio Martins. Embora seja artilheiro do Maracanã, Zico também tem passagens marcantes pelo estádio niteroiense.

Em amistoso preparatório para a Copa do Mundo que seria disputada na Argentina em 1978, a Seleção Brasileira jogou contra a seleção do interior do Rio. O time canarinho goleou por 7 a 0, com o Galinho de Quintino marcando cinco gols.

No ano seguinte, em 1978, ele voltou a fazer história no local ao marcar os seis gols contra o time da casa, a Associação Desportiva Niteroiense, na goleada do Flamengo por 7 a 1.

Zico marcou o gol 600 da carreira no Caio Martins. Foto: Aníbal Philot

Quatro anos depois, em 1982, ele marcou o gol de número 600 da carreira na vitória por 5 a 0 sobre o Madureira, em jogo válido pela Campeonato Carioca de 1982. E cinco anos mais tarde, em 1987, ele marcou de pênalti no empate contra o Fluminense em 1 a 1. O gol marcado no Fla-Flu foi em um dia 21 de junho, justamente um ano depois dele ter perdido o pênalti contra a França na Copa de 1986, no México.

E se o assunto é Fla-Flu, um clássico válido pelo Campeonato Carioca de 1993 é lembrado até hoje muito mais pela briga entre duas estrelas do que pela bola rolando. Na ocasião, o Flamengo vencia o Fluminense por 2 a 0 no primeiro tempo, só que tomou a virada no segundo. O Rubro-Negro sentiu o golpe e a situação esquentou em campo.

Após perder uma bola no campo de ataque, Djalminha recebeu uma cobrança de Renato Gaúcho. Não gostando do tom, a então revelação bateu boca com o já consagrado camisa 7 e ambos trocaram empurrões. Um dos que apartaram a briga foi Marcelinho Carioca, conhecido justamente pelo temperamento explosivo.

Marcelinho Carioca aparta discussão entre Djalminha e Renato Gaúcho em um Fla-Flu de 1993. Foto: Reprodução/TV Globo

Relembrando o episódio, o atual técnico rubro-negro falou que a situação foi resolvida no vestiário de forma tranquila.

“Somos irmãos até hoje. Fizeram tempestade em copo d’água. No vestiário estávamos rindo, conversando. O grupo era muito unido. Todo mundo estava rindo no vestiário. Mesmo que o Marcelinho não tivesse apartado, nada teria acontecido, te garanto”, conta Renato.

Apesar de Renato garantir que o problema foi resolvido internamente, o Flamengo o negociou com o Atlético Mineiro à época. Djalminha também foi negociado, e passou a jogar pelo Guarani. Questionado sobre a postura tomada na ocasião pela diretoria flamenguista, Renato é sucinto.

“Tudo foi resolvido internamente. Quem tinha que ser punido foi e pronto. A vida seguiu”, concluiu.

Gabriel Gontijo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

5 × quatro =