Cada vez mais população denuncia os desmatamentos

Dados estatísticos do Linha Verde, programa do Disque Denúncia, que acolhe informes de crimes ambientais, desde o início desse ano, computou que foram registradas mais de 336 denúncias de desmatamento dentre as mais de 4.600 denúncias ambientais, sendo o quarto assunto mais denunciado na área de Meio Ambiente. Rio, Niterói, Maricá, Região dos Lagos e Serrana foram as regiões nas quais a população mais denunciou essas ações. Dados enviados pelo Comando de Polícia Ambiental (CPAm) mostram que somente neste ano já foram realizadas mais de 179 ações de combate ao desmatamento e com a ajuda de diversas denúncias do Linha Verde, mais de 165 pessoas foram presas e mais de 850 mil metros quadrados de área degradada foram localizados.

Isso significa que a população está cada vez mais consciente sobre a importância da preservação ambiental, denunciando cada vez mais. No mesmo período do ano passado, 299 denúncias sobre desmatamento foram registradas. O aumento de denúncias sobre desmatamento florestal e a redução (ou extinção) desse tipo de crime é possível. Mais informes sobre estágios iniciais de desmatamento surgem, gerando ações preventivas. De acordo com o Disque Denúncia, o estado está próximo de atingir a meta de zero desmatamento ilegal, apesar da alta de 9% na devastação do bioma no país entre 2011 e 2013. Os últimos dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica lançados pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Especiais, nos mostram que nosso estado está entre os nove que apresentaram desmatamentos abaixo de 100 hectares, o que equivale a um quilômetro quadrado.

De acordo com dados do CPAm, os bairros com incidências no eixo Niterói-São Gonçalo no último levantamento foram: Itaipu (4), Várzea das Moças, Itacoatiara, Piratininga, Sapê e Santa Izabel (2), Barro Vermelho, Maria Paula, Ipiiba, Jardim Miriambi, Pacheco, Rio do Ouro e Engenho Pequeno (1).

No período de 1985 a 2015 foram regenerados no estado 4.092 hectares de mata, ou o equivalente a 40,92 km², diz o estudo. Em todos os 92 municípios fluminenses há ocorrências na Mata Atlântica. Desse total, o Atlas identificou regeneração em 77. Os municípios que apresentaram mais áreas regeneradas foram Casimiro de Abreu, com 267 hectares; Itaperuna (223); Duas Barras; Rio (209); Vassouras (203). Apesar de o Rio ter alcançado o posto de estado com “nível de desmatamento zero”, ele ainda integra a lista dos municípios que mais desmataram no período pesquisado, com 13 representantes. O Atlas mostra que, juntos, esses municípios desmataram 94,82 mil hectares de Mata Atlântica, o correspondente à área do município de Nova Friburgo (RJ).

Quando uma floresta deixa de existir, perdemos fauna e flora e isso pode provocar, ainda, o desequilíbrio da cadeia alimentar. Com as espécies carnívoras diminuindo, cresce o número de herbívoros, que podem vir a extinguir mais tipos de vegetais. A perda da cobertura vegetal causa a degradação do solo e, consequentemente, a desertificação. A destruição das florestas afeta, também, o clima, já que elas têm importante papel na manutenção da temperatura, nos ventos e no ciclo das chuvas. “Através de parceria com o Inea, recebemos e apoiamos ações que tem por base o levantamento de desmatamento através de imagens de sensoriamento remoto, recebidos e analisados no Projeto Olho Verde. Além disso, temos sempre nosso patrulhamento ambiental focado nos remanescentes de Mata Atlântica”, explicou Coronel Mário Fernandes, comandante do CPAm.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *