Cachorros continuam aglomerados em casa de Piratininga

Raquel Morais

Pouco mais de um mês após a denúncia de maus tratos com mais de 50 cachorros em Piratininga, na Região Oceânica, a situação está longe de ter um final feliz. Moradores da região reclamam que o imóvel localizado na Rua Jornalista Sebastião Costa (antiga Rua 134) continua com muitos animais em situação deplorável. Além da falta de cuidados com os bichos a casa continua com muito lixo acumulado e a piscina não foi limpa desde então.

A situação se agrava a cada dia e cerca de 20 animais permanecem no ambiente insalubre. A sujeira do imóvel não foi retirada, o lixo acumulado continua em cima do telhados e a piscina está cada dias mais suja. “O cheiro ruim diminuiu muito mas os cachorros estão muito estressados e latem o dia inteiro. Eles não limparam a piscina e os lixo em cima do telhado. Depois da denúncia e das vistorias não está mais sendo feito nada. Os cachorros bebem a água da piscina. Isso é um absurdo”, comentou uma moradora da rua que preferiu não se identificar.

Já a comerciante Cláudia Fernandes, 41 anos, contou que o dono do imóvel não tem mais condições de ter animais de estimação. “A prefeitura já levou muitos cachorros e protetores de animais também. Agora eu fiquei sabendo que funcionários vão toda semana no imóvel e pegam alguns cachorros para castração e depois devolvem. Isso tem que ser revolvido o quanto antes pois estamos falando de vidas de animais”, comentou.

O dono dos animais está sendo representado pelo advogado Thiago Costa que contou sobre as novas denúncias. “A limpeza da piscina, telhados e toda a casa de uma forma geral ainda não aconteceu pois a própria empresa teve dificuldade pois a casa não tem água encanada. O meu cliente usa uma torneira no quintal para fazer todas as tarefas domésticas com baldes. A piscina não tem bomba e nem entrada e saída de água, o que dificultou a execução da higienização. Ele precisa de tratamento psiquiátrico pois desenvolveu, segundo a família, o transtorno da acumulação”, explicou. O advogado ainda frisou que realmente a Prefeitura de Niterói toda semana retira de dois até cinco animais para a castração e depois devolve. “Essa medida é para evitar a procriação. Já foram dezenas de animais adotados e agora esses 20 ficaram. Temos interesse em doar”, completou.

No dia 18 de setembro o caso ganhou repercussão pública após denúncia nas redes sociais de imagens e vídeos mostrando a casa em questão. Cerca de 70 cachorros foram encontrados em situação de maus tratos: alguns mortos e outros extremamente desnutridos, convivendo em meio ao lixo e sem ração e água potável para se alimentarem. A denúncia foi parar na delegacia 81ª DP (Itaipu) e na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPA) que estão investigando o caso. Além disso a Prefeitura de Niterói também interveio na história e participou de uma ação no imóvel para a retirada dos animais.

Segundo as informações da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), todos os envolvidos no caso já foram ouvidos na especializada, que aguarda agora ouvir o depoimento da veterinária. A destinação dos animais está sob a responsabilidade do Centro de Controle de Zoonoses.

PREFEITURA DE NITERÓI

O Centro de Controle Populacional de Animais Domésticos (CCPAD) da Prefeitura de Niterói esclareceu que o centro e a Vigilância Sanitária do Município continuam monitorando os animais, realizando a castração, e orientando com relação as condições sanitárias do local. Familiares e os advogados do dono dos animais são os responsáveis por solucionar a situação já que trata-se de uma residência particular. Em caso de descumprimento, a Polícia Civil pode ser acionada se for configurado maus tratos. Protetores animais e pessoas que deram lares temporários para os animais também estão realizando campanhas virtuais para adoção consciente.

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