Cachorro é morto a tiros no Fonseca

Conhecido pelo nome de Segurança e querido por moradores do bairro do Fonseca, um cachorro foi morto à tiros ontem (15). O crime cometido contra o animal foi descoberto na manhã do mesmo dia quando o cachorro foi encontrado amarrado e ferido escondido em um amontoado de lixo na esquina da Travessa Luis Matos com a Rua Leite Ribeiro. De acordo com a primeira versão do homem apontado como autor do crime, ele teria atirado no animal por conta de possível mal estar do bicho.

A comissária de polícia Silvia Daher, da 78ª DP, que realiza um trabalho voluntário particular como cuidadora de animais, recebeu uma denúncia e deu início, com o auxílio de colegas, a diligências para averiguar as informações.

No local os moradores informaram que o autor do crime teria pedido a vizinhos para amarrarem o animal, o que foi negado. Pela madrugada, foram ouvidos tiros, mas os moradores pensaram se tratar de alguma violência comum na localidade e somente foram ligar os acontecimentos ao encontrem Segurança já sem vida.


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“Ele me pediu para amarrar o cachorro e eu disse que eu não iria amarrar. Aí ele foi pediu para o irmão e o irmão foi lá e amarrou o cachorro”, disse uma testemunha que teve a identidade preservada.

Seguindo informações de vizinhos, os agentes foram até uma hamburgueria improvisada onde estaria o irmão do acusado. Questionado, o homem se disponibilizou a entrar em contato com o irmão. Foi feita então uma comunicação por telefone e o autor dos disparos chegou no local em um carro de aplicativo dizendo saber os motivos de ser procurado pela polícia por conta do assunto ter tomado grandes proporções no bairro.

O acusado confessou o crime em uma primeira versão afirmando que o animal estava com uma diarreia e que para “aliviar o sofrimento do cachorro” realizou os disparos através de uma pistola emprestada por um amigo. A arma ainda não foi localizada pelos policiais. Questionado sobre não ter levado o animal para ser atendido em um veterinário por conta do suposto mal estar, o autor afirmou que “não tinha dinheiro para gastar com o cachorro”. O acusado afirmou também em depoimento prestado na delegacia hoje (16) pela manhã que havia adotado o cachorro, que seria de rua, deixado com um irmão durante a pandemia e que esse irmão teria novamente colocado o animal na rua. Durante a tarde, na presença de um advogado, o homem negou tudo o que havia dito anteriormente. Imagens da câmera de segurança de uma casa na rua foram solicitadas pela polícia.

“Quem cuidava do cachorrinho era eu, a minha filha e a nossa vizinha. Ele era um cachorro de rua, mas nós cuidávamos dele. Dávamos banho, levávamos no veterinário… Sempre a gente estava levando. Ele já foi internado antes por 33 dias porque foi atacado por um pitbull que rasgou o pescoço dele. Nós arcamos com tudo. O pessoal ajudou, nós fizemos uma rifa para ajudar e ele ficou internado. O Segurança e a parceirinha dele, a Rose. A gente tentou ficar com ele, mas a minha filha só ficou com a Rose porque ele pulava, não ficava dentro de casa. Nós conseguimos algumas pessoas para ficar com ele, mas não adiantava. Então a gente tratava ele na rua, ele era muito bem tratado. O vizinho andava de bicicleta para lá e para cá e o cachorro atrás dele. Isso que dava uma… Sabe? Tadinho, ele estava de bicicleta, mas o cachorro estava correndo”, relatou Ana Cláudia Motta, de 59 anos, atendente.

Uma veterinária do Horto do Fonseca compareceu no local do crime e atestou no corpo do animal sinais de agressões além de duas perfurações. O cachorro foi enterrado por moradores do bairro no horto. O autor do crime permanece detido pela Polícia Civil para apreciação da autoridade policial.

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“Ele pegou e não ficou nem um dia com o Segurança. Ele chegou e disse que iria ficar, mas o cachorro estava magro, só ficava chorando. Aí eu falei para ele soltar o cachorro porque a gente cuidaria igual a nós sempre cuidamos. Ele soltou, mas aí começou a soltar o cachorro longe lá na Engenhoca, no Barreto. Para não atrapalhar ali na lanchonete. Eu perguntei porque ele estava soltando o cachorro longe e ele disse que estava doido para se livrar dele. Que o cachorro estava atrapalhando. Isso já tem mais de três meses. Eu disse que ele não poderia se livrar do cachorro porque não era ele que sustentava e cuidava. Então não tinha direito porque a rua não era deles. O cachorro voltava porque ele sabia que era amado e tinha proteção aqui”, contou Mariana Rodrigues, de 29 anos, autônoma.

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