Búzios: embargo no cartão postal

Uma obra na Rua das Pedras, em Búzios, que teve início em meados de 2018, está modificando a estrutura inicial com escavação profunda e edificação para construção de algumas lojas, porém no terreno vizinho há uma pequena casa de pescador onde funcionava um café pela gestão do empresário Luiz Otávio Maiolino.

No entanto, o funcionamento do café foi afetado logo após início da obra do vizinho, já que britadeiras, escavações e trepidações começaram a causar transtornos, como sujeira e excesso de ruídos. “O barulho era muito desagradável e a poeira sujava constantemente todo meu estabelecimento, inclusive nos dias de maior movimento e durante todo o verão. Um funcionário dessa obra morreu quando uma das paredes desabou em cima dele durante o serviço executado no local e isso foi amplamente noticiado, tamanho o absurdo”, lamentou Maiolino.

O pedreiro Mauro Pereira de Almeida, de 39 anos, morreu enquanto trabalhava no local, no dia 1º de outubro de 2018. Ele morreu após um muro cair em cima dele, dentro do terreno em que trabalhava fazendo uma demolição. De acordo com a 127ª DP (Búzios), todos os envolvidos foram ouvidos e o inquérito policial relatado como morte acidental. Além dos problemas apontados por Luiz Otávio, a calçada está obstruída e os equipamentos usados na obra, como retroescavadeiras e caminhões, estão danificando a estrutura da rua mais importante da cidade, sendo relatado por outros comerciantes que essa situação atrapalha o comércio local e gera prejuízos imensuráveis. “As pessoas não têm como passar pela calçada, já que está completamente destruída e obstruída com tapume. Isso diminui a clientela do comércio em volta. A maioria das nossas vendas são por impulso, quando o cliente potencial passa na minha porta e decide tomar um café e fazer uma refeição, tomando uma rápida decisão de consumo. Essa situação afeta tanto a mim quanto aos vizinhos, como a sorveteria da minha mãe que fica na mesma calçada. Nunca vimos um descaso deste em mais de 35 anos de comércio”, completou.

Esses problemas não foram resolvidos através do diálogo entre os dois responsáveis pelos imóveis. A Defesa Civil esteve nos locais fazendo vistorias e até mesmo os laudos dos engenheiros foram emitidos para serem anexados junto ao processo. Luiz Otávio explicou ainda que toda a escavação e até mesmo a ausência de um muro de contenção do terreno vizinho fez seu estabelecimento rachar. “Estou muito chateado com essa situação e a Prefeitura de Búzios acabou interditando as duas propriedades. Eu fiz de tudo para evitar essa situação, já que permiti que ele executasse algumas intervenções no meu café. Estou com um prejuízo imensurável no momento, é mais uma temporada de férias em que tenho problemas ocasionados por esta obra”, frisou.

A reportagem procurou o responsável pela obra, Evaldo Nogueira dos Santos, que é proprietário de imóveis que já causaram transtornos
na Rua das Pedras e outros que estão locados para a prefeitura. “Eu tive que fazer contenções na laje dele pois eu queria quebrar uma parede do
eu terreno e fiquei com medo de cair. Eu tenho todas as licenças e estou legalizado com laudo de engenheiro, projeto e arquiteto responsável. No imóvel antigo funcionava uma loja de chapéu e, por ser muito antigo, usava fossa séptica, que é o despejo na areia e que automaticamente ia para o mar. Mudou o empreendimento, mas continuou o mesmo sistema, que foi minando e acabou cedendo o terreno, o que provocou rachaduras no imóvel. A prefeitura interditou as duas obras e estou esperando o laudo do engenheiro. Está atrasando a minha obra, mas é necessário para ele resolver o problema dele e não me atrapalhar de novo”, explicou Evaldo, que se apresentou apenas como responsável do empreendimento.

Porém, de acordo com o laudo técnico, em meados de dezembro do ano passado foram identificadas fissuras e até brechas no café, ocasionadas pelos deslocamentos de terra na obra do terreno ao lado. Inicialmente, o proprietário da obra efetuou reparos superficiais, como escoramento de telhado, fechamento de fissuras e recomposição de acabamento das paredes, reparo este que ocorreu durante o período de festas natalinas no ano de 2018. Na ocasião a Defesa Civil foi acionada duas vezes e nada foi feito e após um mês do ocorrido, novas fissuras surgiram no imóvel e, desta vez, em novas posições. Foi informado que a obra continuou com o mesmo processo construtivo e avançando dos fundos para a frente do lote.

Com vistas ao processo de legalização da construção vizinha, observou-se que não foi dimensionado nenhuma estrutura para estabilização do talude, visto que houve necessidade de escavação de aproximadamente três metros de profundidade para construção do subsolo. O mais indicado é a utilização de estacas tipo prancha aço. De acordo com o engenheiro, foram constatados inúmeras irregularidades como o desalinhamento de estacas e flexão de peças de contenção, havendo até espaça seu sistema de contenção não foi efetivo, com falhas de execução no que tange alinhamento, amarração, dimensionamento e padrão construtivo, fazendo com que houvesse deslocamento de material de solo, necessário para estabilização das fundações.

Vale ressaltar que em fase anterior à demolição do empreendimento ao lado, não havia fissuras e mento entre elas, ficando assim a resistência estrutural comprometida devido ao método construtivo do sistema de contenção. Por fim o laudo conclui que todas as fissuras e danos causados no Café Ciano foram originários da intervenção do vizinho, visto que imóveis que já causaram transtornos na Rua das Pedras e outros que estão locados para a prefeitura. “Eu tive que fazer contenções na laje dele pois eu queria quebrar uma parede do meu terreno e fiquei com medo de cair. Eu tenho todas as licenças e estou legalizado com laudo de engenheiro, proa edificação do café já era estável e assentada em sua fundação, e que em menos de seis meses, anterior ao primeiro dano observado, a edificação sofreu uma reforma interna onde tudo estava de acordo para o perfeito funcionamento do local.

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