Butantan e USP anunciam produção de vacinas 100% nacional

O Instituto Butantan anunciou na sexta-feira (26) o desenvolvimento de uma vacina brasileira contra a Covid-19. O imunizante, batizado de ButanVac, será integralmente produzido no país, segundo informou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que participou da entrevista coletiva sobre o antígeno. Uma outra vacina também foi anunciada pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Marcos Pontes. Pesquisadores financiados com recursos do governo federal entraram com pedido a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de realização de testes para uma vacina  batizada de Versamune-CoV-2F.


O diretor do instituto, Dimas Covas, afirmou que o pedido de autorização de testes em voluntários brasileiros será feito à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O estudo clínico que pleiteia a liberação avaliará aplicação com diferentes intervalos de tempo. A ideia é que participem adultos, com idades acima de 18 anos, e fora dos grupos prioritários já atualmente vacinados pelo programa do Ministério da Saúde.

Após a liberação da Anvisa, Butanvac terá a realização de ensaios de fase 1 e 2 já em abril. As etapas iniciais são fundamentais para aferir a segurança do medicamento em humanos a terceira, e última, é a que afere a eficácia do medicamento. Poderão ser produzidas 40 milhões de doses a partir de maio e 100 milhões a cada doze meses, tão logo a ButanVac seja aprovada. Segundo Doria, os resultados dos testes pré-clínicos, realizados com animais, da nova vacina se mostraram promissores. O governador paulista, no entanto, não entrou em detalhes sobre os estudos.

O Butantan produzirá 85% da cota de imunizantes em um consórcio internacional formado por Brasil, Vietnã e Tailândia. A instituição também prepara uma versão do imunizante para a variante P1 de Manaus. A tecnologia da ButanVac utiliza um vetor viral que contém a proteína spike do coronavírus de forma íntegra. O vírus utilizado como vetor nesta vacina é o da doença de Newcastle, uma infecção que afeta aves. Por esta razão, o vírus se desenvolve bem em ovos embrionados, permitindo eficiência produtiva num processo similar ao utilizado na vacina de influenza. O vírus da doença de Newcastle não causa sintomas em seres humanos, constituindo-se como alternativa muito segura na produção.

O Butantan já fabrica a CoronaVac, em parceria com o laboratório chinês Sinovac Life Science, com insumos importados neste primeiro momento. A CoronaVac é o imunizante mais usado até agora no Brasil contra o coronavírus com mais de 25,5 milhões de doses já distribuídas pelo Ministério da Saúde. Sobre a Versamune-CoV-2F a solicitação pelo grupo foi para que os pesquisadores envolvidos no desenvolvimento do imunizante possam dar andamento às fases 1 e 2 dos testes clínicos, que envolvem a avaliação em humanos. Marcos Pontes informou que inicialmente serão 360 voluntários.

Em rápida entrevista, Marcos Pontes destacou que o ministério vem financiando pesquisas desde fevereiro do ano passado, mas que teve dificuldades para obter novos recursos no fim do ano e em fevereiro, mas remanejou recursos da pasta para o projeto coordenado pelo professor da USP de Ribeirão Preto.  “Em fevereiro uma dessas vacinas se adiantou bastante com a Anvisa. Busquei no MCTI recursos de outros projetos para apoiar os testes clínicos”, disse.

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