Burocracia sem fim no 190

Menos de um mês após o Serviço de 190 ter recebido críticas sobre a morosidade e excesso de burocracia no atendimento aos usuários, mais uma vez o sistema ficou na berlinda. Após um pedestre ter presenciado uma ação de assaltantes no bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio, no dia 6 de agosto, e acionar o 190 para mobilizar uma viatura policial para o local, sendo atendido com um “burocrático” questionário, na noite de segunda-feira uma vítima de roubo – agora no bairro de Santa Rosa, na Zona Sul de Niterói – reclamou que a lentidão e a ineficácia continuam as mesmas.

“Fui assaltado na Rua Dr. Sardinha quase esquina com Duque Estrada! Vagabundos, safados, num Renault Sandero prata. Quatro vermes com pistolas roubaram meu carro, celular, cordão, relógio, carteira, tênis… Ligo para o 190 e o atendente me fez um desnecessário questionário que durou 15 minutos até ele passar um informe”, contou.

A vítima contou ainda que o porteiro de um prédio, situado no local da abordagem que sofreu, teria visto o ataque e telefonou antes para 190 denunciando o roubo. Quando chegou em casa ainda conseguiu, através do computador, constatar que o celular ainda estaria ligado (possivelmente dentro de seu carro), localizando o mesmo na comunidade do Bumba. Por isso decidiu manter contato com o serviço 190, mas acabou se deparando com o que chamou de “burocracia desnecessária”.

“Taí a localização do meu iphone! Os (…) são do Bumba ou estão por lá. Graças a Deus e a minha conduta não sofri nada mais” relatou a vítima nas redes sociais, acrescentando que por meios próprios conseguiu obter a localização de seu celular (o aparelho foi levado para o Morro do Bumba, no Cubango, Zona Norte de Niterói).

Esse foi o motivo que levou a vítima a entrar em contato com o serviço 190, mas em vez da agilidade e mobilização, o usuário encontrou a burocracia e ineficácia.

Um amigo da vítima também argumentou nas redes sociais o sufoco que ele havia passado dias antes. “Me f… esses dias também na mão deles! E a localização do meu celular era no Abacaxi (comunidade), Cubango! Perto de onde está o seu!”.

Rio
No dia 6 de agosto, no bairro de Botafogo, a lentidão no atendimento do serviço 190 também já havia “retirado do sério” outro usuário, que presenciou um roubo numa esquina do bairro e encontrou como obstáculo a burocracia. Dois homens armados aproveitaram o sinal fechado para roubar um motorista. A intenção da testemunha era avisar à polícia. Ela bem que tentou, mas perdeu a paciência. “(…) Então, deixa para lá. É melhor ele assaltar lá mesmo. Obrigado, viu? Boa sorte!”, finalizou o denunciante, desistindo de acionar a polícia. Na ocasião a informação repassada foi que o procedimento seria uma “recomendação” da Secretaria de Estado de Segurança.

A demora (e a gravação) do atendimento foi divulgada. Logo depois a Secretaria de Segurança admitiu um equívoco no atendimento e explicou que o funcionário era recém-contratado. Por dia, a Central 190 recebe em média 20 mil ligações. O major Ivan Blaz, porta-voz da PM, reforçou que o 190 é fundamental para a corporação. Segundo ele, das 20 mil ligações, cerca de três mil são, de fato, ocorrências. De acordo com o oficial, a PM não pode “abrir mão” do serviço.

Até o fechamento desta edição, a Secretaria de Segurança não havia respondido as solicitações sobre a ocorrência.

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