Buenas Ideias: a Rua Ator Paulo Gustavo na visão do jornalista Eduardo Bueno

“É espetacular que o Paulo Gustavo tenha virado nome de rua. Mas o melhor é que tiraram dali o escroto, o canalha, o cretino, o vil, o desprezível, Coronel Moreira Cesar”, disse Eduardo Bueno.

O jornalista segue o vídeo explicando para quem não sabe, a história do Moreira Cesar, a quem se refere como “um milico repugnante, assassino e horroroso”, e como foi a sua atuação na ação militar na país.

Moreira César (1850-1897) foi um militar brasileiro que sempre usou de enorme violência e crueldade contra os adversários políticos do regime e as revoltas populares que surgiam. Não é atoa que tenha sido conhecido como “o cortador de cabeças”, nesse período.

Ele entrou para o Exército em 1869 e aos 33 anos de idade, em 1883, Moreira César já se envolveu num primeiro ato violento, o linchamento de um jornalista, Apulcro de Castro, que era liberal e fazia críticas ao Império. Moreira César juntou um grupo de militares e preparou uma emboscada que levou a morte do jornalista com facadas nas costas. Esse episódio ocorreu em plena luz do dia, na Rua do Lavradio, centro do Rio de Janeiro. A participação nesse assassinato valeu uma repreensão a Moreira César, que foi transferido para Mato Grosso, numa espécie de “exílio”.

Em 1892, tomou posse como comandante de 7º Batalhão de Infantaria, quando este embarcou para Niterói, onde reprimiu uma revolta interna do corpo policial. No ano de 1893 veio a Revolta da Armada, apontada como rebelião iniciada por algumas unidades da Marinha do Brasil contra o governo do Marechal Floriano Peixoto que terminou em março de 1894. A destacada atuação de Moreira César na repressão ao movimento e na retomada da Ilha do Governador levou a sua nomeação por Floriano como governador interventor em Santa Catarina.

A prática de degola que Moreira Cesar usou junto com seus aliados era conhecida como “gravata vermelha”, quando degolado, o sangue escorria do pescoço, e a imagem lembrava um gravata. Um pequeno exemplo do grau de crueldade e da violência de nossa história e desse personagem.

Em março de 1897, o governo e a opinião pública acreditavam que o coronel César faria um passeio militar, abateria os sertanejos de Canudos e retomaria ao Rio de Janeiro como o outro César, depois de ter ido, visto e vencido. Mas sua campanha foi um desastre e o Coronel Moreira César foi ferido gravemente no ventre, depois de cinco horas de combate, vindo a falecer no dia 06 de março de 1897.

“Por algum motivo que me escapa, virou nome de rua em Niterói. Mas agora a placa foi trocada. Mas ao contrário da placa da Marielle, não sei se quebraram a do Moreira Cesar. Se eu estivesse lá eu quebrava, cuspia e jogava no lixo, que é o lugar de milico golpista e assassino”, disse Eduardo.

Quem é Eduardo Bueno?

O jornalista tem quase 1 milhão de inscritos no seu canal ‘Buenas Ideias’ no Youtube, além de mais de 180 mil seguidores nas redes sociais.

Eduardo Bueno tem mais de 100 livros publicados sobre história do Brasil, e apresenta o “Guia politicamente incorreto da história do Brasil” no History Channel. É autor da Coleção “Terra Brasilis”, inaugurando um estilo leve, crítico e divertido de contar a história do país.

Entre outras publicações de cunho histórico de Eduardo Bueno, destacam-se: “Blá, Blá, Blá: a Biografia Autorizada dos Mamonas Assassinas” (1996), um grande sucesso de vendas, “Brasil: Terra a Vista!” (2000), “Brasil: Uma História: Cinco Séculos de um País em Construção” (2003), “Passando a Limpo: História da Higiene Pessoal no Brasil” (2007) e “Brasil uma História” (2012).

Nos anos 80, atuou na produção do programa “Pra Começo de Conversa” na TV Educativa de Porto Alegre. 

Entre setembro e novembro de 2007, Eduardo Bueno dirigiu e apresentou a série “É Muita História”, que foi apresentada durante o programa Fantástico da TV Globo. Em cada programa, ele aparecia caracterizado de um personagem da história e nas ruas conversava com o público. No primeiro episódio estava vestido de Dom Pedro I e conversou sobre o grito “Independência ou Morte”.

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