Brasileiros pagam por erro da Aneel

Geovanne Mendes –

O consumidor brasileiro mais uma vez pagou alto pelo erro de quem não poderia errar. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) admitiu que, por causa de uma falha, os brasileiros pagaram mais do que deviam nas contas de luz do ano passado. O valor dessa cobrança indevida é de R$ 1,8 bilhão. E o pior de tudo, justamente num momento em que o dinheiro está cada vez mais longe do bolso dos consumidores brasileiros.

“Eu nem sei o que dizer, a gente só se ferra neste país. Eu sempre consegui pagar as contas em dia, mas em 2016 começou o meu sacrifício, já que a conta chegava no máximo aos R$100 e desde o ano passado só tem vindo contas de R$ 155”, reclama a aposentada Maria Lúcia Oliveira.

Com obras atrasadas e com a promessa de que iria entrar em funcionamento em 2016, a Usina Angra 3 ainda não tem data para ser inaugurada e os custos operacionais foram custeados pelo consumidor. Ou seja, foram parar na conta de luz de todas as regiões do Brasil. Toda essa confusão só foi descoberta depois que o presidente do Instituto de Cidadania de Formosa, em Goiás, Geraldo Lobo, entrou com uma ação popular questionando a cobrança.

Em Niterói, a Enel, que realiza a distribuição elétrica na região esclarece que os impactos do encargo serão calculados pelo órgão regulador e incidirão possivelmente no reajuste tarifário da companhia de 2018. Esse acerto vai ser feito ao longo do ano, na medida em que forem vencendo os prazos de revisão tarifária de cada distribuidora e os reajustes na conta devem ficar menor: até 1,2 ponto percentual.

Bandeira amarela
A Aneel informou em fevereiro que a bandeira tarifária das contas de luz em março será amarela, com custo adicional de R$ 2 a cada 100 kWh consumido.

Neste mês, a previsão das vazões que chegam nos reservatórios das hidrelétricas ficou abaixo da expectativa anterior. Com isso, houve a indicação de maior geração termelétrica como medida para preservar os níveis de armazenamento e garantir o atendimento à carga do sistema.
A bandeira amarela é acionada nos meses em que o valor do Custo Variável Unitário (CVU) da última usina a ser despachada está entre R$ 211,28/MWh e R$ 422,56/MWh. Segundo o relatório do Programa Mensal de Operação (PMO) do Operador Nacional do Sistema (ONS), em março o CVU da última usina a ser despachada ficou em R$ 279,04/MWh.

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