Brasileira relata drama em Beirute após explosão

Brasileiros que estão morando no Líbano relataram os momentos de terror vividos no momento da explosão no armazém na Região Portuária de Beirute. A grande explosão aconteceu à beira do Mar Mediterrâneo e deixou 135 mortos e mais de 5 mil feridos. Medo de uma retomada da guerra civil de 1975, terremoto e até mesmo uma bomba atômica foram algumas das causas para o estrondo que essas pessoas que vivem no Oriente Médio pensaram no momento da catástrofe.

Um navio da Força Tarefa Marítima (UNIFIL) da Marinha do Brasil (MB), que sempre fica atracado na região, estava distante do local e operando no mar. A MB informou que os militares a bordo do navio brasileiro não sofreram quaisquer danos físicos, bem como a fração do contingente brasileiro baseada na cidade de Naqoura, ao sul do país. A Fragata Independência encontra-se operando no mar, normalmente. O navio estava distante do local onde ocorreu a explosão a uma distância de aproximadamente 15 km do Porto de Beirute. A MB acompanha os desdobramentos da explosão e continua prestando todo o apoio aos militares brasileiros pertencentes à Força-Tarefa Marítima.

A brasileira Rajaa Ibrahim, 30 anos, está morando no Líbano há um ano e meio e disse que depois dessa catástrofe pretende voltar para Foz do Iguaçu, onde nasceu.

“Meus pais são libaneses e eu decidi trabalhar no Líbano. A situação está muito complicada e são centenas de casas, prédios, carros e tudo muito destruído. Tenho amigos que estão feridos. No momento da explosão, mesmo eu morando a 15 quilômetros de distância, minha casa tremeu e meus filhos ficaram muito assustados. Não conseguimos dormir e estamos com medo. O Líbano está em uma situação difícil em termos de economia, também estamos sendo afetados pelo coronavírus, nossos hospitais estão cheios e agora essa tragédia. Acredito que por mais problemas que o Brasil tenha ainda está mais seguro do que aqui”, contou a brasileira.

O agente de turismo Halim Cherane, 62 anos, mora em Baabda, mas estava em Ain el mrayse, cerca de um quilômetro do local da explosão e contou como foram esses minutos de terror.

“Eu estava com uns amigos e sentimos a terra tremer. Mas onde estávamos não tinham prédios e nem perigo. Esse tremor durou uns sete segundos, também veio um vento forte na gente, como se tivessem ligado um ventilador na nossa frente. Uns três segundos depois o barulho da explosão e a enorme fumaça”, lembrou. Halim ainda explicou que pensou ser um ataque de guerra, que foi iniciada em 1975 e terminou 1999. “Nós infelizmente somos acostumados com a guerra e parecia um ataque. Saímos correndo e fomos ver o que tinha acontecido. O cenário era realmente de guerra, tudo quebrado e destruído. Fui tomado por uma lembrança ruim. Um amigo quebrou a perna mas nada muito grave”, lamentou.

A Arquidiocese de Niterói informou que na Audiência Geral o Papa Francisco fez um apelo em prol do Líbano: “fortes explosões causaram dezenas de mortos e milhares de feridos, além de muitas destruições graves. Rezemos pelas vítimas e suas famílias; e rezemos pelo Líbano, para que, com o compromisso de todos os seus componentes sociais, políticos e religiosos, possa enfrentar este momento trágico e doloroso e, com a ajuda da comunidade internacional, superar a grave crise que está atravessando”.

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) emitiu nota oficial em que manifesta solidariedade ao povo e ao governo do Líbano. De acordo com o Itamaraty, “não há, até o momento, notícia de cidadãos brasileiros mortos ou gravemente feridos”. A pasta acompanha a situação por meio da embaixada brasileira no país, cuja sede fica a cerca de 8 quilômetros da zona onde ocorreu a explosão. O Ministério acompanha com atenção os acontecimentos na cidade e está pronto para prestar a assistência consular cabível. O Itamaraty seguirá acompanhando a situação por meio da Embaixada do Brasil em Beirute, em coordenação com a Divisão de Assistência Consular (DAC) em Brasília. O primeiro ministro do Líbano, Hassan Diab, disse em um discurso na televisão: “eu prometo a você que essa catástrofe não passará sem responsabilidade”, afirmou.

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