Brasil tem, em média, 32 ciclistas internados por dia devido a acidentes

Wellington Serrano –

Fenômeno recente no Brasil, boa parte da população ainda não está acostumada com o ciclismo, mas tem que desenvolver a convivência pacífica entre todos. Último levantamento do Ministério da Saúde, feito em 2014, sobre acidentes de trânsito diz que 1.357 ciclistas morreram em todo o país. Em 2013 foram 1.348 mortes.

O gasto com ciclistas acidentados é alto. Em 2015, foram 10.935 internações de ciclistas, o que gerou um custo de R$ 13,2 milhões ao Sistema Único de Saúde. No ano passado, esse número aumentou. Foram 11.741 internações com o custo aproximado de R$ 14,3 milhões.
“Muitas vezes os motoristas acham que, então, a bicicleta não tem o direito de andar na rua, mas tem. Então, tem que ter uma campanha educativa nesse sentido, ter ciclovia não impede ciclista de andar na rua”, disse Raphael Dorneles, da ONG Rodas da Paz.

Em Niterói, muitos motoristas ignoram a faixa exclusiva. Caminhões, carros e motos usam o espaço a toda hora. O ciclista mesmo passa no canto, com medo de ser atingido pelos veículos. “A gente quer se locomover com segurança e com respeito”, afirmou o estudante Jéssica Gomes.
Pela ciclovia da Avenida Amaral Peixoto passam 112 ciclistas por hora e estes convivem diariamente com o conflito nas esquinas desta avenida. A ciclovia, de grande sucesso e fluxo de ciclista, foi inaugurada há mais de um ano.

Segundo o ciclista Bruno May, integrante do Ciclistas de Niterói, ressalta alguns perigos. “Algumas esquinas, como a da Rua Maestro Felício Toledo e da Rua Visconde de Sepetiba são particularmente mais perigosas. O ciclista fica ocultado pelos veículos que seguem em direção a Avenida Amaral Peixoto”, explicou.

Atleta de Mountain Bike, Brou Brutus, é empresário e professor de educação física, mas o que ele disse que gosta mais de fazer é pedalar. “Já passei por situações de estresse pedalando na estrada, com motorista tentando ser brincalhão, jogando coisas e até xingando. O que talvez este tipo de pessoa não se dê conta é que na bicicleta tem um ser humano, pai, filho e que qualquer descuido pode causar um acidente fatal”, alertou.
Canal de comunicação e informação para os ciclistas, a Prefeitura de Niterói desenvolveu o programa Niteroi de Bicicleta, que tem como principal objetivo estimular a cultura cicloviária na cidade. Criado em 2013, o programa é um dos 32 estruturadores definidos no plano estratégico municipal Niterói que Queremos.

Isabela Ledo, coordenadora do projeto, afirma que Niterói tem investido nos últimos anos em políticas sustentáveis e inteligentes para reduzir os acidentes e os congestionamentos nas ruas. Além da reestruturação e modernização do seu sistema de transportes públicos, o incentivo ao uso da bicicleta como alimentadora deste sistema, como efetivo meio de locomoção para curtas e médias distâncias, e para atividades de lazer, tem norteado os projetos seguros de mobilidade elaborados atualmente pelo poder público local.

Ela disse que hoje a cidade conta com 30 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas, dos quais 15 quilômetros foram construídos pela atual gestão municipal. “A meta da prefeitura é dobrar essa malha e chegar aos 60 quilômetros”, explicou. Ledo afirma que o site é uma importante ferramenta não só de divulgação do trabalho que estamos desenvolvendo desde 2013 como também uma fonte de informações bastante relevantes sobre o tema cicloviário. “A ideia é que o site absorva essas demandas dos visitantes, que poderão mandar sugestões e críticas através do e-mail niteroidebicicleta.info@gmail.com”, disse Isabela Ledo.

Segundo o presidente da “Turma do Pedal”, Sergio Almeida, os acidentes acontecem devido a própria mobilidade das cidades. “Principalmente as brasileiras, cujas capacidades viárias estão praticamente esgotadas, fazendo com que carros e transporte público fiquem cada vez mais tempos parados no trânsito e estressados, aumentando muito a disputa com o transporte de bicicleta”, disse o presidente.

Ele destaca que cerca de 50 pessoas das mais variadas profissões saem todos os dias para os encontros sabendo do respeito ao pedestre e aos motoristas em geral. “Afinal, quem não possui um amigo que se transporta na magrela? Esse respeito existe sim, e já faz parte do nosso subconsciente”, destacou.

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