Brasil pode sofrer falta de insumos para vacina

Apesar dos avanços nas descobertas da vacina contra a covid-19 outros problemas surgiram agora que um imunizante está sendo disponibilizado.

A aplicação das doses depende de outros insumos como seringa, algodão, caixa térmica, saco plástico, luvas descartáveis, freezer. Sem esses itens não é possível iniciar uma campanha.

A meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) é imunizar 20% da população global no próximo ano. Seriam 1,5 bilhão de pessoas contempladas em um prazo de um ano. A maioria das vacinas são necessárias duas doses, ou seja, 3 bilhões d e vacinas e a mesma quantidade de seringas e agulhas.

A primeira vacina aprovada, desenvolvida pelos laboratórios Pfizer e BioNTech, pode trazer uma dificuldade. As doses precisam ser armazenadas a -75ºC. A maioria dos centros de distribuição do Brasil são equipados com câmaras frias que chegam a -20ºC.

Por meio de um comunicado, a Pfizer argumenta que desenvolveu caixas especiais com gelo seco, que garantem essa temperatura baixíssima durante o transporte. A empresa acrescenta que, depois de abertas, as doses podem permanecer em geladeira comum por até cinco dias sem estragar, o que acaba “viabilizando a vacinação, principalmente na situação atual em que se pretende vacinar o maior número de pessoas em curto espaço de tempo”.

As indústrias que fabricam os insumos, como os responsáveis por refrigeradores e seringas, relatam que não receberam qualquer contato do governo e ainda não sabem o que precisarão produzir para a atender à demanda que virá nos próximos meses.

O grande temor é que os prazos apertados prejudiquem a entrega desses materiais e atrasem o início das campanhas, marcadas provisoriamente para o primeiro trimestre de 2021. Também há dúvidas sobre a disponibilidade de matéria-prima, pois alguns componentes usados na manufatura são importados.

Como todos os países do mundo precisarão comprá-los, há o risco de falta de estoques e aumento de preços. “O que nos deixa preocupados é que aparentemente o governo federal não tomou algumas medidas que poderiam ter sido antecipadas, e isso pode dificultar o acesso a certos produtos”, observa a médica Ana Maria Malik, coordenadora do Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da Fundação Getúlio Vargas (FGVSaúde), em São Paulo.

Quanto a compra de seringas, três empresas são responsáveis pela fabricação de no Brasil: BD, Injex e SR. O trio consegue entregar a cada ano 1,5 bilhão de unidades deste insumo, que são utilizados para várias vacinas e também em medicações injetáveis.

“Há vacinas que já vêm prontas para aplicar, enquanto outras chegam aos postos em ampolas e precisam ser preparadas na hora”, explica Moura, da SBIm.

Fernando Silveira Filho, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde (Abimed), explica que enquanto não se sabe quais vacinas serão compradas pelo Brasil, não dá pra começar a fabricar as seringas. “Precisamos ter essas informações da quantidade e das especificações técnicas, pois isso impacta o ciclo produtivo das empresas”, constata

Por meio de nota, o Ministério da Saúde atesta que esse planejamento está sendo feito, mas isso depende de os imunizantes se saírem bem nos testes clínicos, serem aprovados pela Anvisa e chegarem ao Brasil.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

9 − dois =