Brasil Offshore já movimenta Norte Fluminense

Wellington Serrano –

Se o recuo no preço do barril acentuou a crise anunciada do Estado, entre os municípios, Macaé talvez tenha sofrido o maior baque. Mas no ano em que a Bacia de Campos completa 40 anos, a cidade almeja dias melhores e considera a próxima edição da Brasil Offshore o ponto para a retomada do segmento e das receitas do petróleo.

O evento bianual de óleo e gás acontece só em junho (entre os dias 20 e 23), mas os organizadores já estão otimistas. Apesar de o discurso ser de uma feira “pé no chão”, a expectativa é receber 550 empresas (mais de 100 internacionais), 52 mil visitantes e movimentar R$ 200 milhões em negócios nos 48 mil m² de exposição – números próximos aos da edição de 2015, quando a crise do segmento ainda era incipiente.

“A feira marcará a retomada para a indústria de óleo e gás. O crescimento do preço do barril, os novos leilões e a entrada de operadores internacionais trazem uma nova perspectiva para o evento. Temos um cenário em que, agora, as empresas, inclusive as locais, já enxergam a luz no fim do túnel”, comemora o gerente da Brasil Offshore, Daniel Pereira.

Segundo o prefeito de Macaé, Dr. Aluízio (PMDB), a cidade é uma das principais do Brasil e do mundo na produção de petróleo. “Cerca de 84% do petróleo nacional é produzido nessa terra. A Brasil Offshore coloca Macaé como protagonista do cenário internacional e mostra a nossa responsabilidade em discutir a sustentabilidade e a questão social que precisa ser superada”, destacou o chefe do executivo.

Nova rodada
A expectativa se fundamenta principalmente na 14ª rodada de leilões de novas áreas na Bacia de Campos, previstos para logo após a Brasil Offshore. Os pregões de 10 campos em águas ultraprofundas (porém, fora do polígono do pré-sal) deverão ocorrer entre agosto e setembro, já com a flexibilização do conteúdo local, que permite a participação de empresas estrangeiras para exploração – antes restrita à Petrobras.

Os leilões também devem trazer um ambiente favorável para as companhias locais, segundo Daniel Pereira. “As empresas da região têm no evento a base para definir como será o plano de negócios para os segundos semestres de todo ano ímpar. A crise afetou muito a cidade e essa retomada está vindo aos poucos. O empresariado local também começou a sentir fatores positivos para os seus negócios”, garante.

Mesmo com toda a turbulência do mercado de óleo e gás, Macaé ainda é a cidade com uma das maiores receitas provenientes do produto. Só no ano passado, foram mais de R$ 293 milhões em créditos de royalties, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Pelas previsões orçamentárias, os royalties este ano devem cair um pouco, mas a perspectiva é que chegarão a R$ 245 milhões.

A região concentra, ainda, 64% da produção nacional de petróleo. Ao todo, são 711 poços de exploração. Só Macaé concentra 14 campos de produção, e mais dois (Tartaruga Verde e Tartaruga Mestiça) começam a entrar em operação ainda este ano. Também está previsto um teste de Longa Duração no pré-sal do reservatório de Forno (Albacora).

Empregos
Além das receitas com os royalties, a cidade também espera uma retomada da geração de renda, com o crescimento no número de empregos na região. Segundo os organizadores da Brasil Offshore, para cada emprego no parque fabril de óleo e gás são gerados outros oito indiretos na cadeia produtiva.

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