Brasil: mais de 200 mil vidas e histórias interrompidas

Alan Bittencourt

“Quem é que vai tomar vacina aqui? Não estou fazendo campanha nem contra nem a favor. A vacina emergencial não tem segurança ainda e ninguém pode obrigar alguém a tomar algo que você não tem certeza das consequências”. Negacionista da pandemia provocada pela disseminação do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro age na contramão do mundo. Provocando aglomerações por onde passa, ele não apresenta um plano de vacinação. Não há datas para imunizar a população e sequer seringas para a aplicação das vacinas. Bolsonaro ainda encontra tempo para fazer piadas sobre a eficácia das vacinas. Resultado do negacionismo: o Brasil chegou na quinta-feira (7) a 200.163 mortes pela Covid-19 – exatamente cinco meses após o país perder 100 mil vidas para a doença -, e a 7.961.673 pessoas infectadas desde o início da emergência sanitária

Segundo o balanço do Ministério da Saúde, foram registrados em 24 horas 1.524 novos óbitos. Foi o segundo dia com mais mortes notificadas desde que a pandemia foi decretada. O dia com mais mortes foi 29 de julho, quando foram confirmadas 1.595 novas vítimas. Ainda há 2.543 óbitos sob investigação.

Apesar dos números trágicos, o presidente da República não demonstra qualquer empatia pelas pessoas que morreram. O Governo Federal não se programou para comprar os imunizantes para que os habitantes possam ser vacinados. Em vez disso, Bolsonaro prefere minimizar a importância da vacinação.

“Alguém sabe quantos por cento da população vai tomar vacina? Pelo que sei, menos da metade. E essa pesquisa faço na rua, na praia, em tudo que é lugar. Mas pra quem quiser vacina em janeiro vai ter, estão previstas para chegar duas milhões de doses em janeiro. Pessoal pode tomar sem problema nenhum”, declarou para sua claque.

Por diversas vezes, o presidente da República deu péssimos exemplos. Além de aglomerar a cada local que visita, Bolsonaro não usa máscara, abraça seguidores e desestimula aqueles que ainda o apoiam cegamente com piadas de extremo gosto.

“Lá no contrato da Pfizer, está bem claro nós (a Pfizer) não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um jacaré, é problema seu”, disse Bolsonaro, que ainda inventou que as vacinas podem causar adversidades que mais parecem ter saído de uma criança de sete anos.

“Se você virar Super-Homem, se nascer barba em alguma mulher aí, ou algum homem começar a falar fino, eles (Pfizer) não têm nada a ver isso. E, o que é pior, mexer no sistema imunológico das pessoas”, continuou Bolsonaro.

Em nota divulgada na quinta-feira (7), o Ministério da Saúde afirmou que “se solidariza com as famílias que perderam entes queridos e que está trabalhando incansavelmente para garantir vacinas seguras e eficazes à população”. Além disso, a pasta destaca a importância dos profissionais de saúde no combate à pandemia.

“É importante ressaltar que é a força de cada um dos profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros, cuidadores, técnicos e demais profissionais, que fazem o Sistema Único de Saúde (SUS) funcionar”, destaca a nota.

Uma triste marca. Assim classificou o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) as 200 mil mortes no Brasil. Os secretários afirmaram que a pandemia mostrou o quanto é importante para a população o SUS.

“Precisamos estar atentos a todas as providências para aquisição de insumos essenciais ao sucesso da iniciativa, como seringas e agulhas. Neste momento, há um estoque suficiente para atender às demandas da primeira fase da iniciativa. É essencial, porém, que uma compra nacional, pelo Ministério da Saúde, seja realizada em quantidades que garantam a vacinação contra a Covid-19 e a reposição de estoques que necessitaram ser remanejados”, diz a nota do Conass.

O Conselho Nacional de Saúde (CNS), que reúne governos, gestores, profissionais e associações de pacientes, lamentou na quinta-feira (7) o sofrimento de brasileiros e brasileiras.

“Nossas entidades manifestam o seu mais profundo pesar pelas vidas perdidas, muitas das quais evitáveis e resultado da inação e da irresponsabilidade dos mandatários da nação para o enfrentamento da pandemia. Sentimo-nos entristecidos pelo sofrimento incalculável dos milhões de brasileiras e brasileiros infectados e mortos pela Covid-19 e de seus familiares”.

Muitas das 200 mil mortes eram evitáveis. Muitas famílias não deveriam estar de luto. Mas a irresponsabilidade de quem deveria zelar pela saúde de todos os brasileiros fez com que óbitos e casos se multiplicassem. Faltou governo. Faltou política pública. Faltou responsabilidade. Faltou amor ao próximo.

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