BR-101 conta com 20 policiais rodoviários

Augusto Aguiar

Há quase cinco anos, em julho de 2012, A TRIBUNA publicou um alerta, informando que, segundo o Sindicato dos Policiais Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Sinprf-RJ), haveriam apenas entre 17 e 20 patrulheiros da PRF por dia para monitorar mais de 200 quilômetros da Rodovia Niterói-Manilha, entre a Ponte Rio-Niterói até a cidade de Casimiro de Abreu. A distância também pode ser representada antes mesmo do km 322 da BR-101 (na Ponte Rio-Niterói), na chegada ao bairro do Caju (no Rio), passando pela Região Metropolitana (Niterói, São Gonçalo, Itaboraí etc…) até o km 122, no Norte do Estado, área de jurisdição da 2ª DPRF, situada próximo à Praça do Pedágio. Durante esse período, o Sinprf-RJ revelou que a disparidade no “quadro do efetivo continua a mesma”, numa espécie de comparativo seria uma média de 1 patrulheiro para cada 10 quilômetros de rodovia.

Essa desproporção ganhou contornos ainda mais dramáticos com o passar dos anos, pois o já reduzido efetivo da PRF tem pela frente obstáculos difíceis de serem superados, como a aposentadoria de patrulheiros e a ameaçadora escalada da violência (essa uma “pedra no sapato” da segurança no Rio), com quadrilhas especializadas em roubos de cargas e arrastões, atacando nas principais malhas viárias que interligam o estado, tornando as rotas de escoamento de produtos uma perigosa aventura para as distribuidoras. Atualmente, cruzar uma rodovia (seja ela federal ou estadual) transportando uma carga se tornou, devido a essa modalidade de crime, uma perigosa travessia.

“O problema do quadro de efetivo continua o mesmo. No período dos grandes eventos (Copa do Mundo e Olimpíadas), houve um reforço temporário. Porém, com o término, o reforço retornou para seus estados de origem e o Rio continua praticamente com o mesmo efetivo de 2012, sendo que agora com um agravante, de que o pessoal que ingressou entre os anos de 1994 e 1996 muitos já estão em condições de aposentar. A estimativa é de 200 aposentadorias até o fim do ano só no Rio”, revelou o presidente do Sinprf-RJ, Ranier de Almeida.

Em 2012, o então presidente do órgão, Marcelo Novaes de Andrade, já havia afirmado: “Temos um efetivo no estado de cerca de 600 patrulheiros, sendo que desse número pelo menos entre 150 a 200 homens trabalham administrativamente e apenas 450 estão na ativa nas rodovias federais”. Ranier de Almeida endossou as informações do antecessor (atualmente delegado representante), acrescentado que, apesar da tentativa de se contornar o problema, com o passar do tempo as medidas que a serem tomadas em breve podem não surtir mais resultado. “O Governo Federal acena com deslocamento em breve de 350 patrulheiros rodoviários federais temporariamente, devido ao caos na Segurança Pública do Estado, mas, infelizmente, é uma medida paliativa que acabará em pouco tempo. Levando-se em conta as aposentadorias, esse reforço não representará quase nada na capacidade de atuação da PRF no Estado. Deveria haver por parte da administração regional um esforço para que fossem lotados definitivamente no Rio pelo menos 500 patrulheiros, para suprir as vacâncias e poder assim se planejar uma atuação contínua da PRF no Estado e não apenas por temporada”, explicou.

Mesmo em 2012, o ex-presidente do Sinprf-RJ, Marcelo Novaes já sinalizava que o problema poderia se agravar, explicando que se levassem em consideração os casos de férias ou licença, e a escala, os números de patrulheiros ficariam gradativamente ainda mais deficitários. Ele já alertava que faltava reestruturação na carreira e a população precisava tomar conhecimento, pois havia muita (e ainda há) necessidade de pessoal, e não adiantava “transferir e desguarnecer outros estados”.

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