Bolsonaro ingressa hoje ao PL e sela retorno oficial ao centrão

A data de hoje, 30 de novembro, parece ter sido escolhida a dedo para o evento que marca a filiação do Presidente Jair Bolsonaro ao Partido Liberal (PL), em razão de ser ‘Dia do Evangélico’, apostando em boa parcela deste eleitorado como sua base de apoio para as eleições de 2022. O evento, cuja cerimônia será restrita, acontece em Brasília, no auditório do complexo Brasil 21, com início previsto para as 9h30min. 

Sem partido desde novembro de 2019, quando saiu do PSL, por onde se elegeu, Jair chega ao PL após não conseguir alcançar a meta de criar seu próprio partido político, o ‘Aliança pelo Brasil’, cujo número de identificação seria o 38. Agora, além de ter de se submeter novamente a um comando partidário que está fora do seu controle, Bolsonaro até pode estar armado partidariamente para as eleições, só que com calibre diferente daquele que idealizara como perfeito.

A chegada de Bolsonaro ao PL já causa dissidências. Já é certa a saída de cinco parlamentares da sigla: Junior Mano, do Ceará, aliado dos irmãos Cid e Ciro Gomes (PDT); Fábio Abreu (PI), aliado e ex-secretário do governador Wellington Dias (PT); Sérgio Toledo (AL); Cristiano Vale (PA), que tem como prioridade a aliança com Hélder Barbalho (MDB) no seu estado; e Marcelo Ramos (AM), que é vice-presidente da Câmara e opositor declarado ao governo Bolsonaro. Mas as baixas devem ser compensadas por adesões. O partido espera por, pelo menos, trinta filiações de parlamentares bolsonaristas.

A entrada de Bolsonaro na legenda passa por um acordo para a reeleição de Arthur Lira (PP) para a presidência da Câmara dos Deputados. E deve garantir a tranquilidade necessária para blindar qualquer investida de impeachment contra o presidente, já que a aliança inclui todo grupo de partidos apelidado de ‘Centrão’. Também inclui garantias de apoio para o lançamento de nomes importantes ligados ao presidente, entre eles o de Tarcísio de Freitas, ao governo de São Paulo; João Roma, para o governo da Bahia; e Ricardo Salles como senador.

Quem não tem motivos para festejar a chegada de Bolsonaro ao PL é o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). O atual vice-presidente da República, General Hamilton Mourão, é um dos nomes mais bem avaliados por setores contrários à esquerda no estado, e as negociações da composição da chapa presidencial podem resultar em sua candidatura ao governo do estado do Rio.

Mourão consegue atrair pra si tanto os devotos mais fieis do presidente, como também aqueles que se decepcionaram com ele. Eleitorado este que Castro estava tentando construir para si, já que ele jamais disputou uma eleição majoritária como cabeça de chapa. Não é demais lembrar que Cláudio Castro era vice do governador cassado Wilson Witzel.

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