Bolsonaro é cobrado por representantes do setor econômico através de carta

Uma carta aberta de 17 páginas assinada por mais de 200 pessoas, entre economistas, banqueiros, empresários e ex-autoridades do setor público, endereçada ao presidente Jair Messias Bolsonaro, cobra medidas mais eficazes frente ao enfrentamento da pandemia do novo Coronavírus. O texto faz duras críticas à forma com que o governo federal vem conduzindo a crise sanitária e cobra por mais agilidade na aquisição de vacinas, distribuição de máscaras de forma gratuita para população, assim como defende o isolamento social.

O que motiva a carta é o quadro atual da pandemia, com quase 300 mil óbitos até o momento e uma média de mais de duas mil mortes diárias em todo o país. Além disso, classificam como fracasso evidente da política de enfrentamento adotada por Bolsonaro com falta de oxigênio, de insumos e medicamentos, que os fazem acusar o presidente de “negligência” e de que vive um “falso dilema” entre salvar a economia e a saúde.

A carta critica ainda a postura do presidente em não levar em consideração os avisos feitos por cientistas e defender o uso de remédios sem eficácia comprovada contra a Covid-19. A crítica se estende também à promoção e incentivo de aglomerações, pois isso “reforça normas antissociais, dificulta a adesão da população a comportamentos responsáveis, amplia o número de infectados e de óbitos e aumenta custos que o país incorre”, diz o texto.

Falta coordenação nacional

O grupo defende que haja uma coordenação federal em apoio a governadores e prefeitos na compra de vacinas e no apoio às medidas de isolamento que vêm sendo adotadas para conter o avanço da Covid-19. O texto qualifica o cenário atual do Brasil como “desolador” e afirmam que não se recuperará a atividade econômica caso a questão da pandemia não esteja totalmente controlada.

“A necessidade de adotar um lockdown nacional ou regional deveria ser avaliado. É urgente que os diferentes níveis de governo estejam preparados para implementar um lockdown emergencial, definindo critérios para a sua adoção”, afirma um trecho da carta que aponta ainda as falhas que deixam o país “em atraso” na questão da vacinação.

Em outro ponto, o texto afirma que é fundamental o pagamento do auxílio emergencial enquanto perdurar a pandemia no Brasil. “Enquanto a pandemia perdurar, medidas que apoiem os mais vulneráveis, como o auxílio emergencial, se fazem necessárias”, afirma o texto entendendo que a adesão dos mais pobres à medidas de isolamento social está diretamente ligada ao recebimento de alguma ajuda financeira.

Dentre alguns nomes que assinam o documento, que será enviado aos chefes dos três poderes, se destacam: Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles, diretores do Banco Itaú; os ex-ministros Pedro Malan e Rubens Ricupero; e os economistas como Laura Carvalho, Elena Landau e Affonso Celso Pastore, este último chegou a ser presidente do Banco Central.

Marcelo Almeida

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