Bolsonaro diz que Santos Dumont tem que atender Rio e passageiro

No dia seguinte a reunião com o governador do estado do Rio, Cláudio Castro, o presidente Jair Bolsonaro falou do pedido para que o governo altere o edital de concessão do aeroporto Santos Dumont.

O presidente lembrou que nasceu em São Paulo, mas que se elegeu pelo Rio, e afirmou que tem interesse em atender as demandas do estado com relação ao leilão, mas que precisa atender também o usuário.

“Há bom interesse nosso em atender o Rio e atender o usuário, ao qual nós devemos lealdade”, disse Bolsonaro.

Após a visita de Cláudio Castro ao presidente e ao ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, o governo federal anunciou a criação de um grupo de trabalho que trabalhará ao longo de um mês para revisar o modelo de concessão.

O grupo contará com representantes do governo do Rio, do governo federal e empresários. Autoridades fluminenses avaliam que o modelo proposto até agora levaria ao esvaziamento do Galeão, o aeroporto internacional, o que seria prejudicial para a economia do Rio.

Isso acontece porque o edital permite a ampliação de voos no Santos Dumont, localizado no Centro da cidade. Com a mudança, a avaliação é que ele atuaria como terminal concorrente.

‘Parte dos passageiros prefere o Santos Dumont’, disse Bolsonaro

O modelo de concessão do Santos Dumont, no Rio, provocou divergências entre governos e levanta incertezas sobre o futuro de outro aeroporto carioca, o Galeão. De um lado, o governo federal vê com bons olhos a possibilidade de ampliação de voos no Santos Dumont a partir do repasse para a iniciativa privada. Mas, na visão do governo estadual e da prefeitura do Rio, esse aumento colocaria em xeque as operações do Galeão (Aeroporto Internacional Tom Jobim) no pós-pandemia.

Ou seja, poderia haver uma competição entre os terminais, separados por menos de 20 quilômetros. O Santos Dumont, de menor porte, fica no centro do Rio, enquanto o Galeão está localizado na Ilha do Governador.

O estado e a administração municipal defendem a ideia de que, após a concessão, o Santos Dumont não tenha uma ampliação de rotas e fique concentrado em voos de menor distância, como a ponte aérea com São Paulo e Brasília, além de executivos. Assim, a intenção seria ampliar as conexões domésticas no Galeão e também fortalecê-lo como hub internacional.

O governo federal, por sua vez, sinaliza que não pretende aceitar restrições, já que a escolha dos terminais ficaria nas mãos das companhias aéreas. Em outras palavras, o mercado definiria para onde voar.

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