Bolsonaro diz que é ‘normal a saída de alguns’ após saída de secretários

Depois do pedido de demissão de dois secretários especiais do Ministério da Economia, elevando para oito o número de desfalques na equipe do ministro Paulo Guedes, o presidente Jair Bolsonaro afirmou na quarta-feira (12) que “é normal a saída de alguns” do governo. Os secretários Salim Mattar (Desestatizações) e Paulo Uebel (Gestão e Reforma Administrativa) entregaram os cargos.

Paulo Guedes afirmou na terça-feira que os auxiliares que aconselham o presidente Jair Bolsonaro a furar a regra do teto de gastos estão levando o presidente para uma “zona de impeachment”. Ele defendeu o teto de gastos e afirmou que o Ministério da Economia não apoia ministros fura-teto.

“Não haverá nenhum apoio do Ministério da Economia a ministros fura-teto. Se tiver ministro fura-teto, eu vou brigar com o ministro fura-teto”, afirmou Guedes.

De acordo com o ministro da Economia, quem aconselha Bolsonaro a abandonar o teto de gastos para assegurar a reeleição em 2022 está levando o presidente para um processo de impeachment. Ele acrescentou que também é compreensível alguns ministros buscarem mais recursos para obras essenciais, mas fez questão de enfatizar o compromisso com a “a responsabilidade fiscal e o teto de gastos”. A declaração foi dada nas redes sociais, acompanhado dos ministros Paulo Guedes e Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura). Tarcísio defende o aumento de despesas, enquanto Guedes pede redução do teto de gastos. Bolsonaro disse que ele e seus ministros “continuam unidos”. Na terça-feira (11) Paulo Guedes havia afirmado que as saídas teriam ocorrido devido a dificuldades no processo de privatizações e na reforma administrativa.

O comentário seria que Paulo Uebel e Salim Mattar pediram demissão por estarem insatisfeitos com a falta de resultados.

“Se me perguntarem se houve uma debandada, houve. Nossa reação à debandada que ocorreu vai ser avançar com as reformas”, afirmou Paulo Guedes após uma reunião no Ministério da Economia com o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Com as saídas de Mattar e Uebel, passou para sete os integrantes da equipe econômica que deixaram o governo desde o ano passado. São eles: Marcos Cintra (ex-secretário da Receita Federal, demitido); Caio Megale (ex-diretor de programas da Secretaria Especial de Fazenda); Mansueto Almeida (ex-secretário do Tesouro Nacional, entregou o cargo); Rubem Novaes (ex-presidente do Banco do Brasil, se demitiu); Joaquim Levy (ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDES, que pediu demissão).

Paulo Guedes confirmou ainda que o secretário Sallim Mattar havia dito que estava insatisfeito com o ritmo das privatizações.

“O que ele me disse é que é muito difícil privatizar, que é tudo muito difícil, tudo muito emperrado”, declarou, acrescentando que o governo mantém o objetivo das privatizações, um dos motivos que levou Rubem Novaes, por exemplo, a deixar a presidência do Banco do Brasil, instituição que segundo ele era para ter sido privatizada.

O ministro Paulo Guedes afirmou que havia apontado para Salim Mattar a necessidade de lutar para que as privatizações acontecessem.

“O que eu digo para o Salim, o que eu sempre disse foi o seguinte: para fazer a reforma da Previdência cada um de nós teve que lutar. Para privatizar, cada um de nós tem que lutar. Não adianta esperar ajuda do papai do céu. Nossa proposta foi de transformação do estado. Então, nós vamos tentar e vamos correr até conseguir”, declarou.

No caso de Uebel, o ministro afirmou:

“A reforma administrativa está parada. Então, ele (Uebel) reclama que a reforma administrativa parou. A transformação do estado tem várias dimensões”, argumentou.

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