Bolsonaro culpa indígenas e ONGs por desmatamento e a imprensa por ‘desinformação’

Em seu discurso na abertura da 75ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, nesta terça (22/09) de manhã, O presidente Jair Bolsonaro declarou que o Brasil é vítima de “uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal” e culpou indígenas, imprensa e ONGs pelos incêndios e desmatamentos. Bolsonaro cogitou “interesses comerciais” por trás das notícias e ainda justificou que os incêndios que atingem as florestas brasileiras são comuns nesta época do ano.

“A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima. Isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil. O Brasil desponta como o maior produtor mundial de alimentos. E, por isso, há tanto interesse em propagar desinformações sobre o nosso meio ambiente”, disparou. “O nosso Pantanal, com área maior que muitos países europeus, assim como a Califórnia, sofre dos mesmos problemas. As grandes queimadas são consequências inevitáveis da alta temperatura local, somada ao acúmulo de massa orgânica em decomposição”, completou.

Contudo, em outro momento, o presidente se contradisse ao não negar que possa haver ações criminosas nessas mesmas regiões. “A legislação ambiental brasileira é rigorosa, mas enfrenta a grande extensão territorial como fator de dificuldade para se combater atividades ilegais na Amazônia, como extração de madeira e biopirataria”, falou Bolsonaro, garantindo ainda que, juntamente com o Congresso Nacional, analisa a regularização fundiária da região, visando identificar criminosos.

PANTANAL EM CHAMAS

Entre janeiro e agosto deste ano, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) – vinculado à Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar – aplicou R$ 3,77 milhões em multas por incêndios que resultaram em danos ambientais. Segundo o próprio instituto, o valor é 43% superior aos R$ 2,34 milhões em multas lavradas durante todo o ano passado. Ainda de acordo com o órgão, as sanções são resultado de 42 autuações registradas até o fim de agosto. Ao longo de todo o ano passado, houve 20 autuações. Em 2018, foram 15.

Entre as prováveis causas do incêndio que se espalhou descontroladamente pelo Pantanal está a hipótese de que proprietários rurais autorizados a queimar parte da vegetação para limpar suas terras perderam o controle das chamas, que avançaram sem controle pela vegetação seca devido à mais severa estiagem das últimas décadas. Outra hipótese é a de que as queimadas tenham sido intencionais. Em julho, o governo federal proibiu as queimadas em todo o país por 120 dias, visando a reduzir os focos de incêndio em florestas durante o período de seca, que se agrava entre agosto e outubro.

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