Bitcoins: vilões ou aliados? Especialistas falam o que pensam sobre o tema

Esquemas criminosos sobre criptomoedas têm provocado discussões sobre o assunto

As recentes operações policiais prendendo responsáveis por esquemas financeiros conhecido como pirâmides têm causado dúvidas a respeito da credibilidade do investimento em criptomoedas. Afinal, é uma boa ideia investir nesse tipo de aplicação financeira?

Advogada especialista em direito empresarial e mercado de capitais, Jessyca Arieira afirmou que apesar das recentes notícias negativas, é mito afirmar que bitcoin é usado para cometer crimes, fraudes ou lavagem de dinheiro. Além disso, destacou que não há nada na lei que impeça esse tipo de investimento.

“Do ponto de vista jurídico, não existe nenhuma irregularidade no que tange às transações em criptoativos, desde que declaradas para Receita Federal. Até o Banco Central está em fase de testes para o Sandbox da moeda virtual brasileira, ou seja, a tecnologia é válida sim”, afirma a advogada.

Mas Jessyca alerta que não se pode relacionar criptomoedas com rendimento financeiro. É aí que muito erros acontecem, pois ela afirma que, embora existam, de fato, lucro com esse tipo de investimento, também existem prejuízos com essa aplicação.

“Da mesma forma que uma criptomoeda pode valorizar, ela pode despencar na mesma velocidade e você perder tudo! Fiquem de olho nas empresas que garantem rentabilidade de criptomoedas, porque não existe relação de ganho sempre, da mesma forma que em qualquer mercado de renda variável”, explica.

Já o economista e professor de Economia Internacional na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), José Carlos de Assis, tem uma visão oposta. Autor de mais de 20 livros sobre economia política, ele acredita que só a Teoria do Caos é capaz de explicar a crise que já há algum tempo atinge o Brasil, aumentando ainda mais a desigualdade social.

Dentro desse contexto, Assis defende que no ápice dessa crise está incluída justamente a aplicação de dinheiro em moeda virtual, como Bitcoins. Por isso que o economista faz fortes críticas a esse tipo de investimento, que, para ele, “vão virar pó”.

“Não estou fazendo nada que seja antiético, porque as chamadas criptomoedas são moedas de bandidos, de marginais, de traficantes. São moedas que foram inventadas para que a riqueza obtida nos mercados paralelos, de intrigas, de fraudes, fosse escondida por baixo de uma matemática muito complicada, mas que no fundo é muito simples”, denuncia.

O professor explica que a simplicidade dessa matemática reside no entendimento do que é uma pirâmide financeira. As criptomoedas se encaixam nesse conceito, segundo ele.

“Uma pirâmide desse tipo é algo que existe desde o século XVII, na chamada crise da ‘tulipomania’, na Holanda. Aquela foi a primeira crise do capitalismo. Começaram a fazer especulação financeira desenfreada com tulipas, que não vale isso tudo. Começou-se a vendê-las aos montes à época. Outras pessoas começaram a vender também. O preço começou a despencar até zero. E quem tinha dinheiro aplicado ficou sem dinheiro nenhum. Tinham ganhado burras de dinheiro no início do processo, mas perderam tudo no fim. Porque quem ganha dinheiro nesses processos de pirâmide é quem entra primeiro e sai primeiro. Isso acontece em todas as classes sociais, porque as pessoas se deixam enganar muito facilmente ”, compara Assis.

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