Biometria facial chega aos ônibus de Niterói

Dados da Secretaria de Estado de Transportes (Setrans) apontam que cerca de oito mil ônibus de todo o Rio de Janeiro já possuem o equipamento de biometria facial. Os números regionais, de Niterói, não foram divulgados, mas empresas que operam linhas da cidade apontam que há empresas com 80% da frota com a tecnologia implantada. A câmera fica conectada em cima da máquina de leitura de crédito do Bilhete Único intermunicipal (BU) e do RioCard, onde os usuários colocam o cartão de gratuidade, válido para idosos, deficientes físicos, estudantes da rede pública e até motoristas e cobradores de algumas empresas.

Segundo informações das próprias empresas, a Viação Fortaleza já conta com 14% da frota com os equipamentos instalados, a Santo Antônio Transportes (60%) e Expresso Garcia Ltda (37%). As empresas Auto Lotação Ingá, Peixoto, Brasília, Expresso Barreto, Transturismo e Rio Minho não começaram a receber os equipamentos de fotografia. Já as viações Araçatuba e Miramar já possuem coletivos com os aparelhos, mas não souberam informar sobre quantitativo. E a Auto Viação 1001 não soube responder sobre as instalações dos equipamentos.

A Setrans apontou ainda que mais de 60 empresas (incluindo filiadas ao Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro – Setrerj) já disponibiliza o serviço, que é feito sem nem mesmo o passageiro saber. O supervisor operacional da Viação Pendotiba, Gleyson dos Santos, disse que na empresa cerca de 150 carros já foram modificados, ou 80% da frota, que até o final desse ano atingirá os 100%. “O sistema avalia e compara a titularidade do cartão. Todo dia é enviado o relatório para a secretaria, que analisa foto e informações do cartão. Quando é comprovada a irregularidade o cartão do usuário é bloqueado”, comentou. Ele acrescentou que a empresa foi pioneira na cidade começou a implantação em novembro de 2016.

O motorista de ônibus José Carlos de Menezes, de 61 anos, trabalha na função há 16 anos e já percebeu muitos golpes quando o assunto é gratuidade. “Hoje em dia é mais difícil enganar por conta da câmera, mas há uns anos quando não tinham esses equipamentos nos coletivos, era muito comum eu perceber que a identidade não era da pessoa, ou algo parecido. É uma situação chata. Eu, como motorista de ônibus, tenho a gratuidade e passo meu cartão com a maior tranquilidade. Podem filmar meu rosto e conferir com os dados, que está tudo certo”, comentou.

COMO FUNCIONA A BIOMETRIA FACIAL
Segundo nota da Setrans a câmera acoplada ao validador conta com sistema wifi, possui tecnologia para realizar de cinco a 10 fotografias panorâmicas, além de registrar 20 pontos de identificação do rosto do usuário. (…) No ato da transação, o equipamento fará as fotografias em poucos segundos, registrando também os pontos de identificação do rosto da pessoa que embarcou no transporte público. Os dados de cada usuário serão cruzados com o cadastro do banco de dados de identificação civil (Registro Geral ou carteira de motorista) e o sistema fará uma análise do percentual de semelhança entre o registro do banco de dados do órgão e a foto feita pelo validador no momento em que o usuário passar pela roleta. (…) Nenhum usuário será barrado imediatamente na roleta e caso exista a comprovação da utilização indevida da gratuidade a lei prevê sanções como a suspensão temporária do benefício ou o cancelamento do mesmo, nos casos de reincidência, até a apuração de responsabilidade penal, quando cabível.

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