Beneficiários do INSS reclamam de burocracia para recebimento do auxílio-doença

A possibilidade de mudança na lei de planos de benefícios da Previdência Social deixou os segurados que recebem auxílio-doença animados. Um projeto de lei, do senador Paulo Paim está em análise na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), do Senado Federal, e quer impedir que o benefício seja automaticamente cancelado após quatro meses; em caso de não definição do médico para o tempo que o beneficiário poderá voltar ao trabalho. Pela legislação se o perito não definir o tempo da perícia ela é concedida apenas por 120 dias e se o usuário não procurar algum posto de atendimento perde o benefício, mesmo se não estiver apto.

O senador defende a realização de nova perícia para que sejam avaliadas as condições do segurado para voltar ao trabalho.

“Considero esse projeto muito importante pois não é o computador que vai dizer quando que, quem está em auxílio-doença ou acidente, deve ter alta. Depois de 120 dias automaticamente o computador diz que ele pode trabalhar. Se o perito entender que quer dar para ele três meses, um mês ou um ano, ele volta e consequentemente ele vai dar alta ou não. Não pode ser um sistema de computador, uma máquina, que vai dizer que eu estou preparado/apto a trabalhar”, justificou.

E reclamações dos beneficiários do auxílio-doença não faltam nos postos de Niterói. No dia 2 de setembro de 2019 o motoboy Thiago Oliveira, 33 anos, sofreu um acidente de moto e quebrou a tíbia e outros ossos do pé. Ele disse que o beneficio não demorou muito para ser pago mas a burocracia foi desgastante.

“Os processos são cansativos. Tive que me deslocar com o pé doendo para provar estou sem poder trabalhar. Agora eu não sei se meu benefício será renovado ou não e acho que isso deveria sim ser mais claro”, contou o morador do Fonseca, na Zona Norte de Niterói.

A burocracia também foi alvo de reclamação do auxiliar de jardinagem Noé de Alcântara, 28 anos. Ele foi atropelado enquanto trabalhava no dia 3 de janeiro e também quebrou o pé.

“Eu ainda não consegui receber o auxílio. Estou com dor e ainda tive que separar um monte de documentos desde laudos até documentos pessoais. Os documentos devem seguir os protocolos e estarem exatamente como eles pedem e isso é cansativo. Isso deveria ser mais simples”, opinou, lembrando que ainda é obrigado a percorrer uma grande distância de São Gonçalo, onde mora, para o Centro de Niterói para tentar resolver o problema.

Um homem de 57 anos conversou com a reportagem sobre o seu caso, mas preferiu não se identificar com medo se ser prejudicado no seu processo que já dura oito anos. Ele afirmou que por conta de problemas de coluna teve que “se encostar pelo INSS” mas o processo de renovação de benefício se arrasta ha oito anos.

“Minha situação é clara e eu não tenho como voltar q trabalhar. Mesmo sendo notória a minha situação eles não finalizam o meu caso e me aposenta. É triste”, lamentou.

Ele ainda contou que já passou por muitas situações constrangedoras nas idas e vindas ao posto médico de perícia.

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