Belo é a cara do Brasil

Luiz Antonio Mello

Quando o cantor Belo foi preso pela quarta vez em fevereiro de 2021 mostrou que estava credenciado para a política profissional.

Marcelo Pires Vieira, codinome Belo, foi a estrela máxima há dias no aniversário do governador Cláudio Castro comemorado num rega bofe milionário no Jockey Clube do Rio, onde a grossa flor da sociedade abaixo de qualquer suspeita foi beijar sua mão. O governador fez questão de dizer que a esbórnia foi paga por uma vaquinha entre seu secretariado e amigos.

O governador, herdeiro de Wilson Witzel, transformado em carne moída, acabou enrolado com os ladrões da pandemia e, como um flato, voou da cadeira de governador para o velho pijama que o aguardava em seu bucólico Grajaú.

Deu sorte de não passar alguns fins de semana em Bangu 8.

No baile de Castro, Belo cantou com o anfitrião e ali naquele palco iluminado, cercado de Júpiters e Plutões da política fluminense rolou o clima.

O pagodeiro era filiado do PC do B, mas esta semana não só se filiou ao PL, proprietário do Centrão e do Brasil, nono partido do presidente Bolsonaro, como vai se candidatar a deputado federal. Vai ser colega do espertíssimo Romário, também do PL, líder nas pesquisas que garantem a sua reeleição para senador.

Qual o problema de Belo ser candidato ao parlamento? Tá bom, a ficha dele.

Foi preso após promover aglomeração em meio à pandemia durante um show na Maré, ano passado. Em 2002, envolvido com traficantes, foi preso e passou 37 dias na carceragem da Delegacia Antissequestro (DAS). Foi preso de novo 2004, em casa, escondido em um quarto com paredes falsas após a sua condenação a oito anos de prisão em regime fechado pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.

E daí? berraria o outro lá. O ex-deputado baiano Geddel Vieira Lima, flagrado com R$ 51 milhões dentro de casa durante a enterrada viva Lava Jato não só foi solto como voltou à política a bordo do MDB em aliança com o PT. Eduardo Cunha, retratado como um dos maiores vilões da república, também está livre e dá as cartas em Brasília. Zé Dirceu, Delúbio Soares, João Vaccari Neto, o bonde voltou e está mandando. Muito. Isso sem falar da nova geração de supostos bandidos.

A ficha policial de Belo é café pequeno perto do que rolou, rola e vai rolar na história do Brasil. Se até o imaculado Partido Comunista do Brasil o abrigou em suas fileiras é sinal que fazem muito barulho por nada. Afinal, que mal há em desejar um AK 47 no Juízo Final?

A prova maior da lisura policial de Belo foi o convite do governador Cláudio Castro para o seu baile de luxo onde o cantor foi ovacionado no palco. Governador à tira colo. Quer mais ficha limpa do que isso?

No mais, só Molotov salvaria o Brasil.

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