Bebida e direção: uma combinação nada perfeita

Raquel Morais –

Estatísticas do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) apontam que a cada um motorista parado em blitz da Lei Seca outros 100 passam sem ser flagrados. Os dados são alarmantes e trazem à tona a problemática da dupla que não combina em nenhum aspecto: bebida e direção. Neste ano, o Rio de Janeiro está em 9º lugar no ranking dos 10 estados que mais possuem motoristas embriagados surpreendidos em ações repressivas.

Segundo o levantamento, Brasília lidera o ranking dos estados com maior flagrante de motoristas bêbados na direção, com 644 fiscalizações. São Paulo está em segundo lugar com 267, seguido do Ceará com 253, Mato Grosso do Sul com 230, Minas Gerais com 166, Alagoas com 146, Santa Catarina com 115, Paraná com 85, Rio de Janeiro com 84 e Goiás com 64 fiscalizações.

Em 1996, a niteroiense Lúcia Maria Vieira, de 53 anos, foi atingida por um motorista embriagado na Avenida Roberto Silveira, em Icaraí. Ela estava em uma motocicleta quando foi atingida pelo homem, que ultrapassou o sinal vermelho, tentou entrar na contramão da Rua Presidente Backer e ainda pensou em fugir sem prestar socorro.

“Sobrevivi por um milagre divino e tenho as marcas desse acidente no meu corpo até hoje. Foi uma imprudência o que ele fez. Mas iguais a ele existem milhares espalhados no país todo. Sou a favor de mais fiscalização e quando o processo terminou fiquei sabendo que ele, na época, era viúvo há um ano por conta de um acidente que ele mesmo causou e que vitimou a sua esposa. Na ocasião ele também estava embriagado”, lamentou.

Outra sobrevivente de acidente de trânsito em Niterói, ocasionado pela imprudência de um motorista, é Carolina Basílio, de 33 anos. Desde 2015 ela é agente de educação do projeto Lei Seca e leva sua história, e conhecimento, através de palestras em escolas e empresas. De acordo com a agente, cinco mil pessoas são salvas por ano através do projeto, 22,8% do número de vítimas é reduzido e 3.700 pessoas são salvas por mês através da fiscalização e da educação no trânsito. “O Lei Seca tem o objetivo de salvar vidas e nós batemos na mudança de comportamento como pilar principal. Achamos mais fácil educar do que reprimir”, apontou a cadeirante, que perdeu as duas pernas após ser atingida por um motorista alcoolizado na esquina das ruas Gavião Peixoto e Álvares de Azevedo, em Icaraí, em 2010.

O coordenador do Denatran, Francisco Garonce, reforçou a importância dessas ações coibitivas. “O que nos percebemos é que os departamentos de trânsito utilizam todas as suas capacidades de fiscalização para deixar claro para o condutor que ele deve agir corretamente. Não que ele será fiscalizado, mas que aquilo é mais seguro para ele e a sociedade”, frisou.

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