Batalhões de Niterói e São Gonçalo permanecem ocupados

Raquel Morais

Quem achou que o final de semana iria esfriar os ânimos na frente dos batalhões de Niterói e São Gonçalo, se enganou. O grupo de esposas e familiares dos policiais militares do 12º Batalhão de Polícia Militar (BPM) e do 7º BPM permanece, por tempo indeterminado, ocupando a frente das corporações, restringindo a entrada dos militares para troca de turnos. As ocupações, que acontecem em mais 26 batalhões do Rio de Janeiro, visam a chamar atenção para os pagamentos atrasados dos militares e para a falta de infraestrutura para trabalho, como viaturas sucateadas e equipamentos de proteção vencidos. A Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) informou que o salário de janeiro será pago integralmente hoje, mas o 13º salário segue sem previsão de pagamento.

Em frente ao 12º BPM, no Centro, o final de semana foi marcado por confusão e troca de tiros, após um sargento do próprio batalhão ser baleado nas costas por colegas de corporação, do Grupo de Apoio à Promotoria (GAP, do Ministério Público). Essa situação acabou sensibilizando as mulheres que estão acampadas nesse local.

“Niterói está violenta e não queremos de maneira nenhuma prejudicar o policiamento na cidade. Os policiais que quiserem entrar e sair do batalhão não estão sendo impedidos por nós. A única coisa que eles não fazem é trocar a viatura dentro batalhão. Estão fazendo isso na rua”, comentou a esposa de um militar que não quis se identificar.

O grupo cobra o pagamento dos salários atrasados e do décimo terceiro, RAS Olímpico, sistema de metas, adicional por insalubridade, periculosidade e noturno, contra o congelamento dos salários e cota extra para a previdência e mudança nas escalas de serviços. As mulheres ainda ressaltaram que os niteroienses estão apoiando a causa ajudando com doação de alimentos e bebidas, além de apoio moral buzinando e batendo palmas quando passam pelo grupo. “Estamos revezando e sempre ficamos, no mínimo, em três pessoas. Estamos conseguindo chamar atenção e mostrar qual valor da polícia na rua. E vamos fazer isso até acertarem essas questões”, esbravejou uma viúva de PM que era lotado no 12º BPM.

O deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSC) visitou o batalhão de Niterói na manhã de ontem e, em sua rede social, publicou a seguinte mensagem: “Todo apoio àqueles que estão dando o sangue pela nossa segurança pública e não têm dinheiro sequer para comer! Precisamos resolver esse impasse, urgentemente, antes que a situação se agrave no RJ! Depois não venham botar a culpa nos policiais”.
O comandante do batalhão de Niterói, coronel Márcio Rocha, foi procurado pela equipe de reportagem de A TRIBUNA para comentar o caso, mas não foi encontrado até o fechamento dessa edição.

São Gonçalo
Em frente ao 7º BPM, as mulheres e familiares também passaram o fim de semana em frente à unidade. Por lá, a situação é um pouco mais tensa. Até pneus de algumas viaturas foram furados pelo grupo, para dificultar a saída do batalhão, que fica no Alcântara. “Nenhum PM entra e nem sai, somente estamos deixando o comandante ter o trânsito livre. Não vamos deixar essa situação ser esquecida e nem estamos de brincadeira. Estamos lutando por toda a população”, apontou a estudante Cláudia dos Santos, 45 anos, viúva de policial militar.

A assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que o patrulhamento está nas ruas. Os batalhões, que estão apresentando deficiência no efetivo, receberam apoio de outras unidades. A PM está utilizando de todos os meios disponíveis para colocar o policiamento nas ruas em locais onde há impasse com os manifestantes. Porém, reforçamos que estamos em diálogo constante com as lideranças a fim de conscientizar sobre a importância da saída do policiamento.

Forças Armadas reforçarão policiamento
Prevista inicialmente para hoje, tropas das Forças Armadas começarão a atuar no Estado. A autorização veio do presidente Michel Temer após uma reunião, nesta segunda-feira (13), com o governador do Rio Luiz Fernando Pezão. O pedindo é para que as tropas auxiliem o policiamento das ruas, já que mulheres de policiais militares bloqueiam as portas de diversos batalhões desde sexta-feira (10) .

Até o fechamento desta edição, o governo ainda planejava quantos militares seriam enviados ao Estado ou deslocados para essas atividades e onde eles atuarão. A autorização é a mesma concedida na semana passada para uso das tropas no Espírito Santo, onde familiares de policiais impediram a saída de viaturas em forma de protesto.

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