Basquete de Cadeira de rodas busca inédita medalha nas Paralimpíadas

Nas suas cadeiras de rodas eles correm pela quadra, fazem dribles e arremessos incríveis, nada devendo a qualquer atleta olímpico. As seleções feminina e masculina de basquete do Brasil estão em busca da inédita medalha paralímpica. Para isso, estão treinando forte para os Jogos Paralímpicos 2016, que cuja abertura será no próximo dia 7. As competições começam no dia seguinte. Os dois times estão hospedados no Centro de Treinamento Paralímpico da Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef), no Rio do Ouro.

A seleção feminina é treinada por Martone Moreira Sampaio. “A gente tem um retrospecto de crescimento nos últimos anos. Nos Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012, ficamos em 11º lugar. No Mundial de 2014, em 9º lugar. A nossa expectativa é estar entre as oito primeiras colocadas, avançando para as quartas-de-final pela primeira vez na história”, contou o técnico.

Além de treinar a equipe diariamente por duas horas e meia, sem falar na preparação física, Martone cuida do lado emocional de um time que disputará a sua primeira Paralimpíada no Brasil. “Estou conscientizando-as a não se emocionarem, mantendo a razão dentro dos jogos. Deixar a torcida nos impulsionar, mas ao mesmo tempo estando focadas. Elas estão demostrando uma emoção contida”, observou o técnico.

Treinamentos acontecem diariamente por duas horas e meia - Foto: Marcello Almo
Treinamentos acontecem diariamente por duas horas e meia – Foto: Marcello Almo

O time, de sete jogadoras titulares (tem ainda 12 reservas) é uma mescla de veteranas e estreantes em paralimpíadas. A mais experiente é a ala Rosália Ramos da Silva, de 46 anos, há 20 na modalidade. Ela vai para a sua terceira paralimpíada, após ter jogado em Pequim (2008) e Londres. “Jogar no Brasil para mim é muito emocionante e gratificante. A gente vai procurar usar a torcida a nosso favor. Vai ser uma coisa muito boa. A expectativa é grande e nós estamos muito focadas. O objetivo é brigar por medalha”, contou a jogadora.

Rosália nasceu em Pernambuco, foi criada no Rio de Janeiro e hoje mora em São José dos Campos (SP), onde joga pelo time do Cadis (Centro dos Amigos dos Deficientes Físicos). Tem uma filha de 21 anos. Aos dez anos de idade teve Mielite Transversa, uma doença rara que a deixou sem poder andar.

As meninas estarão em um grupo difícil na primeira fase, com a Grã Bretanha, Alemanha (atual campeã paralímpica) e Canadá (campeã mundial).

Na última sexta-feira, houve amistoso na Andef entre as seleções masculinas do Brasil e da Espanha de basquete. O técnico da seleção brasileira é Thiago Franklin. No próximo dia 31, todas as equipes se transferirão para a Vila Paralímpica, no Rio de Janeiro.

Foto: Marcello Almo
Foto: Marcello Almo

Praticado inicialmente por ex-soldados norte-americanos que haviam saído feridos da 2ª Guerra Mundial, o basquete em cadeira de rodas fez parte de todas as edições já realizadas dos Jogos Paraolímpicos. As mulheres passaram a disputar a modalidade em 1968, nos Jogos de Tel Aviv (Israel). As partidas duram quatro tempos de 10 minutos cada. Os ingressos para a Rio 2016 já estão esgotados. Quem não pôde comprar os ingressos poderá assistir pela TV Brasil.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

14 + quinze =