Bariátricos contam prós e contras após cirurgias para emagrecimento

Além da estética, melhor qualidade de vida é o maior benefício

Juntos eles somam 245 de quilos perdidos. Quatro pós bariátricos comemoram o emagrecimento e contam sobre as mudanças que os quilos a menos proporcionaram para a reportagem de A TRIBUNA. E essas vão muito além da alteração estética e envolvem qualidade de saúde com redução de índices glicêmicos e hipertensão, por exemplo, o que representa a saída de grupos de risco até mesmo para o contágio da Covid-19. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) divulgou que o tratamento cirúrgico da obesidade foi restrito em todo o país com a pandemia da Covid-19, o que representa um perigo no momento da crise sanitária. 

A comunicóloga Leandra Karol Barros, 41 anos, é um belo exemplo das mudanças que a bariátrica pode proporcionar. Ela conseguiu eliminar 89 quilos desde que fez a cirurgia em 2018, onde pesava 158 quilos e chegou aos 69 quilos, reduzindo do manequim 56 para o 40. “Uma amiga me levou ao médico dizendo que era para ela e na verdade era uma consulta surpresa para mim. Eu fiquei assustada e isso foi em 2012. Fiquei tentando emagrecer e administrando a ideia da operação até 2018 quando enfrentei a cirurgia. Eu não tinha qualidade de vida e não conseguia mais amarrar o sapato. Eu me transformei e a Leandra magra é a Leandra que tem uma vida nova. O meu emagrecimento está ligado a felicidade, a autoestima e a qualidade de vida”, contou Leandra. 

Atualmente Leandra está se preparando para as cirurgias reparadoras. “Estou com risco cirúrgico e esperando esse momento de retirar as peles que sobraram após o emagrecimento”, frisou a moradora de Icaraí, em Niterói. A cirurgia para retirada de pele é algo comum no universo de quem fez a cirurgia bariátrica, mas tem quem passe por esse procedimento e tenha uma elasticidade um pouco maior, e não precise de muitas operações pós bariátrica.

Esse é o caso da jornalista e também modelo Thaís Ribeiro, 33 anos, que fez a cirurgia para redução de peso em 2013 quando estava com 100 quilos e hoje pesa 62 quilos, ou seja, eliminou 38 quilos. Após a grande perda de peso ela só colocou silicone nas mamas, mas não fez a retirada da pele da mama. “Após o meu emagrecimento eu desenvolvi um pânico de engordar novamente. Eu faço tratamento para não desenvolver doenças mais graves, como a anorexia, pois eu fiquei neurótica de engordar de novo. Fiz por saúde. A família do meu pai é diabética e hipertensa. Fui diagnosticada com pré diabetes e se eu não fizesse nada para reverter essa situação eu ia entrar na insulina. Não me arrependo e foi a melhor decisão da minha vida e eu faria antes sem problema nenhum. Foi a melhor escola da minha vida e incentivo as pessoas”, garantiu a moradora da Região Oceânica. 

A comerciante Thamyris Bradão, 33 anos, operou em 2014 pesando 118 quilos e hoje pesa 60 quilos, jogando fora 58 quilos. “Hoje estou na luta para engordar um pouco e quando estava gordinha eu tinha dificuldade para emagrecer. Na época da operação eu descobri um problema para engravidar que estava relacionado com o sobrepeso. Além de engordar eu tinha uma alteração hormonal preocupante. Eu queria engravidar e fiz tratamento e dieta, quando perdi 10 quilos. Então fiz a cirurgia. Para mim foi o melhor que aconteceu. Recuperei minha saúde e realizei o sonho der ser mãe”, contou a moradora do bairro Paraíso, em São Gonçalo.

Thamyris chamou atenção que nem tudo são flores durante todo esse processo. “A dieta foi tranquila e eu tive que me adaptar a mastigar mais calma. A fase de ficar tomando o copinho de líquido foi difícil. Eu sentia falta de mastigar alguma coisa mas tudo foi para uma causa maior. Até mesmo comprar roupa foi muito melhor e diferente. Depois consegui fazer a cirurgia reparadora nas mamas e na barriga e estou muito feliz”, pontuou.

Novo ganho de peso – Mas não é todo mundo que consegue manter o peso mesmo depois do procedimento cirúrgico. O empresário Renato Seixas, 43 anos, disse que desde os 10 anos começou a sofrer com a alteração do peso. Em 2012 conseguiu passar pela cirurgia bariátrica e emagreceu 60 quilos mas já engordou 25 quilos desde então. “O emagrecimento está muito na cabeça. Eu senti muita diferença, fiquei mais disposto, meu trabalho rendia mais e fiquei muito melhor. Mas eu não fiz o acompanhamento psicológico nesse período e hoje vejo que eu tinha quer ter feito para não voltar a engordar. A cirurgia não é mágica e não adianta se tudo não estiver alinhado. A vontade de comer e a gula leva a pessoa engordar de novo. Aconteceu isso comigo. Mas eu já estou fazendo dieta e preciso eliminar esses quilos que ganhei”, finalizou o morador de Maricá.

QUEM PODE FAZER A CIRURGIA?

A SBCBM afirma que a cirurgia bariátrica pode ser indicada quando os pacientes atendem a critérios de peso, idade e/ou doenças associadas. Estão aptos os pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 40 kg/m², independentemente da presença de comorbidades; IMC entre 35 e 40 kg/m² na presença de comorbidades; IMC entre 30 e 35 kg/m² na presença de comorbidades que tenham obrigatoriamente a classificação “grave” por um médico especialista na respectiva área da doença. A idade também é fator a ser analisado. Pacientes entre 18 e 65 anos não têm restrição. Acima de 65 anos, o paciente deverá passar por uma avaliação individual.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

5 × quatro =