Bares e restaurantes de Niterói têm prejuízo de 20%

Anderson Carvalho –
Raquel Morais –

Os bares e restaurantes, que dependem de insumos para vender refeições aos clientes, amargaram prejuízo de cerca de R$ 2 milhões no faturamento do mês maio, o equivalente a 20%. A informação é da Câmara de Dirigentes Lojistas de Niterói (CDL). A falta de combustíveis provocou a ausência dos gêneros alimentícios nas centrais de abastecimento, além da diminuição da clientela, impossibilitada de ir aos estabelecimentos.

“Os dados são de um levantamento que fizemos. Com a falta de insumos básicos, muitos estabelecimentos tiveram que mudar o cardápio, substituindo os alimentos em falta. Os poucos produtos que haviam estavam com preços muito altos e, com essa crise, não poderíamos repassar aos pratos. Outro problema foi a dificuldade dos clientes em ir aos restaurantes, devido ausência de combustíveis nos postos. As pessoas ficaram sem mobilidade. Registramos em uma semana de greve dos caminhoneiros uma queda de 50% no movimento. Sem falar nos funcionários, que também tiveram dificuldade de ir ao trabalho”, lamentou o presidente da CDL-Niterói, Luiz Vieira.

Segundo o dirigente, o setor não espera recuperar tal prejuízo a curto prazo. “A semana foi perdida. A expectativa agora é pelo equilíbrio do abastecimento e dos preços dos produtos, que por enquanto, estão muito altos. Alguns postos já começaram a ser reabastecidos. Ainda assim, os insumos que chegarem estarão caros. Os comerciantes vão evitar comprar produtos muito caros para não repassarem aos pratos. Por enquanto, estão segurando os preços”, explicou o empresário, acrescentando que o prejuízo de 20% estende-se ainda ao comércio em geral na cidade.
Desde segunda-feira passada o comerciante Igor Martins, 26 anos, da loja Bela Fruit, não recebeu nenhum tipo de fruta e legume para sua loja no Ceasa São Gonçalo, no Colubandê. O prejuízo estimado ultrapassa os R$ 40 mil. “Sou a terceira geração da família que trabalha no Ceasa e nunca vimos uma situação como essa. O Ceasa está vazio, sem cor e sem vida”, comentou. Sem abastecimento desde semana passada, o comerciante é um dos únicos que ainda abriu as portas na terça-feira. Restavam cerca de 20 caixas de melão e que serão vendidas por R$ 40, mesmo preço de antes da paralisação dos caminhoneiros.

Nos mercados os produtos começaram a preencher as prateleiras e legumes, verduras e frutas já podem ser encontrados pelos consumidores. Porém os preços ainda estão nas alturas. O pé de alface está sendo vendido por R$ 2,99. O mole de salsinha também era encontrada por R$ 2,99, o quilo do chuchu a R$ 3,99 e o da maça, a R$ 9,90.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio RJ) estimou que os prejuízos causados ao setor pela paralisação dos caminhoneiros são de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão por dia no Estado. Os bloqueios trouxeram prejuízos como desabastecimento do comércio, a interrupção no fornecimento de combustíveis, e também impactos secundários no faturamento do comércio e dos serviços.

Postos começam a ser abastecidos na região
A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCam) diz que a paralisação acabou, os postos estão recebendo gradativamente os combustíveis e os mercados estão enchendo novamente as prateleiras com legumes e verduras, com preços bem salgados. Porém, apesar da pequena normalização dos serviços, na BR-101, entre Niterói e Itaboraí, alguns caminhoneiros resistem ao movimento e continuam pedindo apoio do poder público para a causa que defendem: a redução do valor do litro do diesel. Os grevistas não concordam com a redução dos R$ 0,46 no litro do diesel anunciado pelo Governo Federal.

De acordo com o presidente de ABCam, José da Fonseca Lopes, está havendo uso político do movimento para derrubar o governo de Michel Temer. Na BR-101, na altura do Shopping Itaboraí, os caminhões não estavam mais ocupando o acostamento. Ao longo da rodovia alguns trechos estavam sem os caminhões, que aos poucos foram retirados com escolta da Polícia Rodoviária Federal (PFR).

Os postos de combustíveis na rodovia federal foram alvo de disputa dos motoristas. Filas nos acostamentos eram grande de pessoas aguardando o abastecimento. E não só na estrada o movimento para abastecer foi grande, em vários postos de Niterói e São Gonçalo a fila de espera foi grande.
O aposentado Jorge Coreixas, de 60 anos, ficou mais de uma hora na fila do posto BR na Avenida do Contorno, esperando para abastecer na manhã de ontem. “Meu carro entrou na reserva e eu tive que enfrentar a fila para abastecer. Mesmo com esse contratempo eu sou a favor do movimento e também quero que os outros combustíveis reduzam os preços”, comentou.

PRF fotografa placas de caminhões ainda parados em rodovias
Agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) começaram a identificar os caminhões parados fora das estradas e dos acostamentos na Rodovia Presidente Dutra, em Seropédica. A medida é baseada em determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que atendeu pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para desbloqueio das rodovias.

Desde as 15h30min de ontem os agentes da PRF entraram em um posto de combustível na Rodovia Presidente Dutra e passaram a fotografar as placas das centenas de caminhões estacionados. Do outro lado da rodovia, em um terreno particular usado pelos caminhoneiros para estacionar, a PRF também identificou as placas dos veículos. Essas informações serão repassadas à Justiça para aplicação da multa autorizada pelo Supremo.
As empresas que descumprirem a ordem de desocupação serão multadas em R$ 100 mil por hora. Segundo a PRF, também serão aplicadas multas, no valor de R$ 10 mil por dia, aos motoristas autônomos que não obedecerem à ordem de liberação.

Os caminhoneiros protestaram muito no início da ação alegando que não têm obrigação de trabalhar.

“Ninguém pode nos obrigar a trabalhar. Não é justo nos multarem dentro do posto, pois o dono deixou que nós ficássemos”, disse Marcos da Silva dos Santos, caminhoneiro que trabalha com carregamento de areia, terra e pedra no Rio de Janeiro.

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