BÁRBARA LOMBA: NADA ACONTECERIA SEM O AVAL DE FLORDELIS

“Nada aconteceria sem o aval da deputada”. A frase é da delegada Bárbara Lomba Bueno, ex-titular da Delegacia de Homicídios (DH) de Niterói, primeira a investigar a morte do pastor Anderson do Carmo, marido da deputada Flordelis dos Santos de Souza (PSD-RJ). A policial prestou depoimento no Conselho de Ética da Câmara, na manhã
desta terça-feira (13), dando sequência à oitiva iniciada no dia 30 de março, referente ao processo que pode cassar o mandato da parlamentar. Segundo Lomba, todas as pessoas apontadas como envolvidas no homicídio do pastor tinham uma forte ligação com a parlamentar, de acordo com o que foi apurado por sua equipe, enquanto esteve à
frente do inquérito. Cabe ressaltar que, respondem pelo crime, a própria Flordelis, além de filhos (biológicos, afetivos e adotivos) e uma neta.

“Embora eu não tenha concluído o inquérito policial, até a altura em que nós investigamos, posso afirmar que as pessoas envolvidas são absolutamente vinculadas à deputada Flordelis. Conseguimos saber que nada aconteceria dentro daquela casa sem o aval final da deputada”, disse a delegada. Para Bárbara Lomba, as evidências levantadas pela investigação conduzida por ela trazem fortes indícios do envolvimento de Flordelis no crime. Ela ressaltou que havia, em mensagens de celular, diversas manifestações de insatisfação e revolta contra Anderson, por parte dos acusados pelo assassinato.

“Havia mensagens diretas se referindo ao Anderson com muita revolta, xingamentos, acusações. Houve comprovação de consultas a veneno, substâncias tóxicas de pessoas ligadas ao planejamento e execução do crime. Esse conjunto de evidências trouxe às investigações uma indicação fortíssima do envolvimento da deputada na ação criminosa”, prosseguiu.

Além da revolta por parte de membros da família, a delegada esclareceu que houve relatos dando conta de que a própria Flordelis estaria insatisfeita com o controle exacerbado que o pastor exercia sobre sua vida e carreira. Entre os depoimentos que mencionam o fato estão o do ex-verador Wagner Pimenta, conhecido como Mizael da Flordelis, e de Daniel dos Santos, filho adotivo do casal, que anteriormente se acreditava ser o único fruto biológico do relacionamento entre a deputada e o líder religioso.

“Vários membros citaram que a deputada manifestava o cansaço pela convivência, talvez até abusiva, por parte do Anderson. A deputava não estava mais contente com aquele tipo de controle absoluto de tudo, ela não fazia nada sem que o Anderson tivesse dirigindo”, esclareceu Lomba. Ainda em seu depoimento, Bárbara Lomba citou que haviam diferentes planos para tentar ocultar a verdadeira autoria do crime. Entre eles, estava atribuir a culpa inteiramente a Lucas, por conta de seu histórico de desentendimentos com Anderson do Carmo. Cabe ressaltar que, em depoimento em durante audiência de instrução do processo, Flordelis confirmou saber da existência de um plano anterior para matar o pastor, idealizado por Lucas e Marzy.

“A própria vítima falou para a deputada Flordelis [sobre o plano anterior]. Aquilo tudo foi conduzido para que a vítima entendesse que foi algo pontual do Lucas. O Lucas já tinha divergências com a vítima. O pastor tinha postura muito rígida em relação a algumas coisas. Já havia um desentendimento entre eles”, complementou Bárbara.

AFASTAMENTO DO MANDATO TRAVADO
Nesta segunda, completaram 50 dias que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou o afastamento de Flordelis do cargo de deputada federal. A medida, para ter eficácia, precisa ser votada no Plenário da Câmara dos Deputados. Entretanto, a casa informa que a decisão não tem previsão para ser incluída na pauta. Até lá, Flordelis segue exercendo seu mandato.

ALEGAÇÕES FINAIS
Na segunda-feira (12), foi encerrado o prazo para que a assistência de acusação e defesas dos réus fizessem as alegações finais no processo que apura a morte do pastor. Agora, a juíza Nearis dos Santos Carvalho Arce, na 3ª Vara Criminal de Niterói, decidirá se os réus serão ou não pronunciados, ou seja, se passarão pelo júri popular.

Vítor d’Avila

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