Bar do Edson fecha as portas após 54 anos de história

Raquel Morais –

Se alguém falar do estabelecimento Edson’s Drink, no Ingá, pouca gente vai conhecer. Mas a tradução livre não deixa dúvidas: Bar do Edson. O queridinho dos niteroienses desde a década de 1960 encerrou sua história na cidade no último domingo. Após 54 anos na administração, Edson Lopes de Lemos, de 89 anos, que faleceu em outubro passado. Desde então, o reduto dos poetas, escritores e pintores na Rua Presidente Pedreira, 111, já não tinha mais o mesmo sabor.

Segundo um dos filhos de Edson, Paulo Edson de Lemos, de 60 anos, o pai comprou o bar em 1965 e esteve atrás dos balcões até uma pneumonia passar uma rasteira na saúde do comerciante. Paulo lembra com orgulho do trabalho do pai e das memórias que coleciona ao longo dos anos.

“Nasci dentro do bar e para mim era muito comum aquele ambiente. Meu pai conseguiu impor um respeito com os clientes e nós aprendemos tudo que sabemos com esse convívio e trabalho”, contou.

Foi justamente com essa sensação de ordem que o ex-vereador Pedro Siqueira, de 64 anos, lembrou dos áureos tempos do Bar do Edson.

“Frequentei o bar por mais de 50 anos, conheci toda a família, fiz amizades e tomei as melhores batidas de frutas da minha vida. Ele era igual um pai para a gente, nos dava conselhos e broncas, se fosse preciso, além de não deixar ninguém ficar sem camisa depois das 18h. É uma pena que esse estabelecimento tenha fechado, mas eu fui no último dia de funcionamento e lembramos de muitas histórias boas”, contou.

O Bar do Edson era um ponto de encontro de jovens que vêm do interior para estudar em Niterói, pois o bairro do Ingá é repleto de pensões. Outra justificativa para tanta adoração é que o Palácio Nilo Peçanha funcionava a poucos metros do estabelecimento. Então, o point virou reduto de médicos, comerciantes atacadistas e empresários do interior.

“Eu e meu irmão estamos cansados e vamos investir em outra coisa. Ficou muito difícil manter um comércio aberto em Niterói. Todos os impostos estão caros, as contas básicas, como de energia, estão caríssimas. Fechamos o bar e estamos tentando passar o ponto”, completou Paulo.

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