Bancada da Alerj tem 51% de renovação

Wellington Serrano –

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) recebeu na sexta-feira os novos ocupantes em 36 de suas 70 vagas. A mudança representa 51% dos quadros do Poder Legislativo fluminense. A renovação é maior que a apresentada nas eleições de 2014, quando 33 novos parlamentares assumiram seus mandatos. O governador Wilson Witzel e o vice Claudio Castro participaram da solenidade, que foi presidida pelo deputado André Ceciliano (PT), presidente em exercício da Casa.

Entre os estreantes está o deputado de São Gonçalo mais jovem da Assembleia, Renam Ferreirinha (PSB), 24 anos, que teve 24.854 votos. Ele é criado no Mutuá e teve a vida transformada pela educação. Estudou no Colégio Militar do Rio de Janeiro e foi aceito em nove universidades americanas. Escolheu Harvard para estudar Economia e Ciências Políticas e se formou em 2017 com bolsa integral.

“A posse hoje é final de um ciclo de campanha e o coroamento de um trabalho que me tornou o deputado mais jovem desta legislatura. Estou me sentindo bem e acho que o frio na barriga de nervosa só me faz ter a certeza de que a minha escolha foi certa. Agora é tocar o mandato de forma ética e recuperar a imagem da Alerj e ajudar a minha cidade a recuperar os seus potenciais para acabarmos com o complexo de ‘vira-lata’. Chegou a vez do protagonismo de São Gonçalo e vamos lutar pelas barcas para lá”, rssaltou.

O mais votado foi Rodrigo Amorim, ex-secretário de Cidadania e Direitos Humanos do município de Nilópolis (Baixada Fluminense), que se juntará a outros 12 parlamentares eleitos pelo PSL, grupo político com a maior bancada da Casa. Empatados em segundo lugar, com cinco integrantes cada, estão o DEM, o MDB e o PSOL. O PDT, o PRB, o PSD, o PT, o SD, ocuparão três cadeiras cada um. Já DC, NOVO, PHS, PP, PRP, PSC, PSB e PSDB elegeram dois deputados cada, enquanto outros 11 partidos terão um representante cada um.

Para o deputado niteroiense Gustavo Schmidt (PSL), o primordial no momento é o resgate do Rio de Janeiro.
“Temos muita coisa para fazer no mandato para melhorar a segurança, gerar emprego e incrementar a economia”, disse. Sobre Niterói, ele enfatizou que a cidade precisa de reformulação desde a Prefeitura até a Câmara dos Vereadores.
“Evito falar, mas temos certeza que a nossa cidade tem quadros importantes para fazermos as mudanças necessárias”, apontou.

DEPUTADOS PRESOS — Seis dos parlamentares eleitos estão presos e, por esse motivo, não participaram da cerimônia. Uma reunião da Mesa Diretora deverá decidir neste sábado como fica o mandato desses parlamentares na nova legislatura. Na última quinta, a Justiça do Rio negou o pedido de Marcos Abraão (Avante) e Luiz Martins (PDT), presos na Operação Furna da Onça, para que saíssem da cadeia para participar da posse. Também estão na cadeia os parlamentares Marcus Vinícius Neskau (PTB), André Correa (DEM) e Anderson Alexandre (SD), para eles continua valendo o regimento: 60 dias para comparecer pessoalmente na Alerj, caso contrário perdem os cargos e os suplentes são chamados. No caso de Chiquinho da Mangueira (PSC) , que cumpre prisão em casa por questões médicas, ele pode ser beneficiado na justiça para tomar posse em casa.

O deputado Waldeck Carneiro (PT) condenou o fato dos deputados conseguirem na Justiça o direito da posse em casa ou na prisão.
“A diplomação pode ser feita por procuração, mas a posse é um ato que exige a presença. Acho que tomar posse na prisão é inédito. A Alerj deveria prever em seu regimento interno, que não há previsão sobre isso, sobre as situações em que os deputados que estão impedidos de exercerem os seus mandatos por decisão judicial. Não há nenhuma previsão regimental na Casa sobre isso, é fora do comum essa insegurança jurídica”, lamentou.

Sobre seu novo mandato Waldeck disse que a primeira grande expectativa é tirar o Rio de Janeiro do buraco.
“Esperamos que Alerj possa atuar no sentido do fortalecimento do primado dos direitos. É muito importante que se possa contribuir para aquilo que acho criterioso hoje que é a restauração do Estado de direito democrático no Brasil que a meu ver não está mais em vigência”, destacou o deputado petista.

Sobre a falta de decisão sobre a posse dos deputados presos Serafini disse que isso só enfraquece a democracia.
“Falta transparência neste processo, porque a Alerj tem que conseguir julgar seus próprios membros sem precisar ficar dependente da justiça, para fazer sua parte ao combate a corrupção”, apontou.

Já sob o mandato, o psolista disse que inicia ele mais fortalecido devido a votação mais alta que teve.
“Temos a convicção que estamos no caminho certo e que temos que enfrentar as injustiças sociais e as dificuldades no acesso à educação”, afirmou.

NOVA CARA — Nesta nova legislatura os profissionais da área de Segurança Pública integram a categoria profissional que mais ocupará vagas na próxima legislatura. Doze deputados pertencem ao setor. A segunda categoria mais representada na Alerj é a advocacia: oito parlamentares eleitos são formados em Direito, enquanto outros sete são empresários. A média de idade dos deputados que tomam posse em janeiro está em cerca de 46 anos contra 49 anos do mandato atual.

A partir de 2019, quatro deputados estarão abaixo dos 30 anos de idade, enquanto na legislatura anterior foram cinco. Cabe destacar, porém, que o número cairá para três deputados a partir
de abril, pois Alana Passos completará 30 anos de idade. Em relação ao grau de instrução, 42 dos parlamentares que assumirão (60%) têm Ensino Superior completo; no último período, 53 parlamentares (75%) possuíam formação superior.

Um dos destaques destas eleições foi o crescimento da bancada feminina da Casa. Nesta legislatura serão 12 mulheres, um aumento de 33% em relação às nove deputadas que exerciam mandato atualmente na Alerj. A campeã de votos foi a paraquedista do Exército Alana Passos, que teve pouco mais de 106 mil votos e foi a terceira mais votada dos 70 eleitos. Natural de Queimados, ela é casada e tem 32 anos. Além de Queimados, também teve votação expressiva no município de Nova Iguaçu e na capital. Entre as eleitas estão ainda três mulheres que trabalhavam no gabinete da vereadora Marielle Franco (PSOL), executada em março deste ano no Estácio, Região Central do
Rio. São elas: Mônica Francisco, Renata Souza e Dani Monteiro, todas do PSOL.

O governador Wilson Witzel (PSC) em seu discurso, ressaltou a importância de ocupar um cargo legislativo.
“As senhoras e senhores deputados, eleitos não apenas com o voto, mas, sobretudo, com a esperança de dias melhores da população do nosso estado, de mais emprego, desenvolvimento e segurança, terão uma fundamental responsabilidade na construção de um Rio de Janeiro melhor e mais justo. Não podemos decepcionar aqueles que depositaram em nós sua confiança”, disse o governador, que estava acompanhado do vice-governador Cláudio Castro.

Wilson Witzel destacou ainda a importância de preservar o Estado Democrático de Direito.

“Como governador, garanto que conduzirei minhas ações com total respeito às instituições, à independência e à harmonia entre os Poderes do Estado”, ressaltou.

Também estiveram na solenidade secretários estaduais como o da Casa Civil e Governança, José Luís Zamith; de Governo e Relações Institucionais, Gutemberg Fonseca; e de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Fabiana Bentes.

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