Badernópolis e a aposentadoria

O sujeito trabalha a vida toda. De sol a sol, tendo que dar, a força, uma boa parte do que recebe para o governo que, também neste caso, faz o papel de cáften.

Esse brasileiro acha que, quem sabe um dia, poderá ter toda a sua vida honrada e honesta, dedicada ao trabalho, a sociedade e ao país, reconhecida por sua aposentadoria. É o mínimo que se pode fazer para dizer a esse homem “obrigado por ter servido a nação por tantas décadas de trabalho e suor”.

Mas em Badernópolis nem tudo que apita é barca chegando. De uma hora para a outra o governo chuta o pau da barraca, dá uma mictada de incompetência e falta de respeito e a fila da aposentadoria ganha milhões e milhões. Ninguém é atendido porque o “sistema” pifou e o tal trabalhador que passou a vida suando e ralando passa a condição de pária, chorume, zero à esquerda.

A fórmula da aposentadoria é simples. O povo entra com os glúteos e o governo com o nabo. Tudo isso num cenário de canalhices avassaladoras. Parlamentares se aposentam com 12 anos de “serviço”, tem, grátis, o melhor plano de saúde (que inclui a parentada), anda de carruagens oficiais zero KM (modelos que custam R$ 120 mil para cima), não paga casa, comida, roupa lavada, viagens, tem uma corte de mordomos à disposição.

Muitos servidores acumulam gratificações e outros adereços sórdidos e a aposentadoria acaba custando os tubos. Tem aposentado na prefeitura de Niterói recebendo quantias de cinco dígitos. Imaginem no governo do Estado e no Federal.

O rombo na previdência é causado pelos marajás e seu eterno bacanal; casta de vadios que mama bem e leva tudo. Sobra para a ralé a xepa, o resto, a sucata. É assim há séculos, mas piorou ao longo dos 12 anos de sangria implacável dos bandoleiros do PT, PMDB e afins que entraram para a história como protagonistas do maior roubo da história do Brasil.

No lugar do petismo entraram Carlos, Flavio, Eduardo, Michelle e Renan Bolsonaro, mais Fabricio Queiroz (que é praticamente da família) e outros agregados sinistros. Ah, sim tem o Jair Capitão, vulgo “vai trabalhar, vagabundo”, mistura de presidente com estafeta de jogatinas familiares que, esperto, simula escândalos em série como tática para fazer cortina de fumaça e esconder o que rola no escurinho das 400 paredes de seus palácios.

Quem paga isso tudo? Nós e os candidatos a aposentadoria que entram na fila de cinco anos com R$ 2 e saem com R$ 1. E tem que rir, tem que achar divino e maravilhoso, “melhor do que nada, vagabundo”, diz a voz planaltina.

Mas, vamos lá, por que a previdência quebrou? Em 2014, as despesas da Presidência da República (governo Dilma) sugou R$ 9,3 bilhões no ano —210% mais que em 2005, já descontada a inflação do período. É um volume de dinheiro quase três vezes maior, por exemplo, que o gasto anual do Estado do Rio na manutenção da rede pública de saúde, com 60 hospitais (1.050 leitos de UTI).

De acordo com o portal da transparência, em 2019 Jair Capitão torrou R$ 14,9 milhões com cartão de crédito corporativo. R$ 1,240 milhão por mês, R$ 41 mil por dia e R$ 1.708 por hora. Mas se for somar tudo, os gastos dele e da primeira-dama estão na órbita de Júpiter.

Imagine quanto custa todo o Executivo, mais Judiciário e Legislativo? Dá para imaginar?

Pacato, pacífico, arregado, o brasileiro prefere chorar vendo seu drama na TV do que telefonar para Mikhailovich Molotov e se aconselhar. Afinal. “ôôôô, sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amooooor”.

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