Bacia de Campos deve gerar renda extra para Região dos Lagos

A Região dos Lagos voltará a receber uma receita adicional ainda não estimada pelo Bloco C-M-477, localizado na Bacia de Campos, que foi arrematado nessa semana pela Petrobras na 16ª Rodada de Licitação no regime de Concessão, organizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em nota a empresa disse que ampliou seu portfólio exploratório e manteve sua estratégia de atuação seletiva e efetiva nos leilões de blocos exploratórios da ANP.

Segundo a estatal, na licitação pelo regime de concessão, as ofertas são compostas por valores de bônus de assinatura e por um Programa Exploratório Mínimo (PEM), que representa as atividades que as empresas vencedoras se comprometem a realizar para explorar a área. O bônus é expresso em reais e o PEM em unidades de trabalho (UT).

“O bloco foi arrematado pelo consórcio composto pela Petrobras, operadora com 70% de participação, e pela BP Energy, com 30% de participação, por meio de oferta de R$ 2,045 bilhões em bônus e compromisso de realização de 1371 Uts”, disse a estatal em nota.

Procurada, a Agência Nacional de Petróleo, comentou o arremate do novo bloco pela estatal. “Benéfico para o país. Vai gerar mais emprego, royalties. E se a produção for alta, garante mais participação especial”, realçou em nota.

No entanto, para o ex-deputado federal, Geraldo Pudim, o arremate causou estranheza já que a estatal, que carrega uma dívida de R$ 295 bilhões (já foi de quase R$ 500 bi, em 2015), topou desembolsar quase R$ 1,7 bilhão por duas áreas na Bacia de Campos que poderiam ter sido arrematadas, com folga, tendo gastado 70% menos, junto com seu sócio. “Se a aposta alta foi certeira, só se saberá daqui a, pelo menos, oito anos – tempo médio para um reservatório entrar em franca produção”, realçou.

No resultado geral, porém, a empresa que mais apostou foi a Exxon. A gigante americana desembolsou mais de R$ 1,9 bilhão, ante R$ 1,8 bilhão da Petrobras, para garantir presença nos oito blocos oferecidos na Bacia de Campos e dois na Bacia de Sergipe/Alagoas, no mar.

Segundo o Executivo da ANP, Décio Oddone, o resultado do leilão era esperado e a agência comemorou o fato de o leilão ter batido recorde em arrecadação – R$ 3,8 bilhões. Segundo o ele, a agência não esperava oferta em vários blocos. “Muitas delas deverão entrar em uma espécie de cardápio permanente de áreas, que os investidores poderão arrematar para explorar sob concessão a qualquer momento, independentemente do leilão”, disse.

Para o sócio da área de Óleo e Gás do escritório Mattos Filho, Giovani Loss, foi um bom leilão, com apostas surpreendentemente altas em alguns ativos. “Houve baixa competição, mas houve empresas de peso, como a Repsol e a chinesa CNOOC, que vão trazer um nível bom de investimento para o país”, disse. Em sua opinião, muitas empresas de grande porte podem estar guardando munição para as duas rodadas de áreas do pré-sal na Bacia de Santos, que estão para acontecer nos próximos dias.

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