Autoridades políticas comentam sobre o fim do Niterói Presente

Vice-prefeito, presidente da Câmara e presidente da Comissão de Segurança da Casa também opinaram sobre o que pensam do futuro programa de segurança

Após ser encerrado, o fim do programa Niterói Presente segue causando muita repercussão na classe política niteroiense. O vice-prefeito Paulo Bagueira lembrou que o programa era bancado exclusivamente pelo governo municipal e que bancava 297 PMs patrulhando as ruas, em um investimento anual de R$30 milhões e que, segundo o político, derrubou os índices de violência nos locais onde foi implantado.

Para Bagueira, faria mais sentido se o governo estadual permitisse o investimento por parte da Prefeitura de Niterói e destinasse a verba para a melhoria da estrutura do batalhão localizado no município, o 12º BPM.

“Seria melhor se o governo estadual usasse os recursos que pretende injetar no seu novo programa, na ampliação do efetivo do 12° Batalhão da Polícia Militar, que há anos o niteroiense deseja, influindo assim, no combate à violência em outros bairros onde o Niterói Presente não havia ainda chegado.  Como deputado estadual, atuei em 2019 na ampliação e renovação desse convênio. Só não conseguimos ampliá-lo mais, à época, por falta de recursos humanos do governo estadual”, afirmou o vice-prefeito.

Ele também recorda que a parceria proporcionou o investimento em outros setores fundamentais à segurança, como vigilância e inteligência. Além disso, relembrou que o programa permitiu o sustento de policiais que viveram o colapso financeiro do estado no auge da crise financeira que atingiu o Rio.

“De lá para cá, inúmeros foram os projetos de lei que ajudamos a aprovar na Câmara e que viabilizaram essa política. A Criação do Cisp, com mais de 500 câmeras de monitoramento e os portais de segurança. O Proeis e o Rais, que possibilitaram ao município o pagamento de diárias aos PMs lotados na cidade. A reforma de delegacias, de unidades da PM, como DPOs. A compra de armas apreendidas e o pagamento de gratificação às forças de segurança sempre que os índices de violência caem, como forma de estímulo. O pagamento emergencial da gratificação de Natal às forças de segurança quando o estado colapsou em 2017, também foi fruto dessa política municipal. Por fim, a criação do Niterói Presente, modelo único de segurança pública que, de tão exitoso, merece ser exemplo a ser apresentado pelo governo estadual a outros municípios. Quero acreditar e desejo, que a suspensão do convênio não seja uma espécie de retaliação política à nossa cidade. Hoje, como vice-prefeito garanto que por parte do prefeito Axel Grael, a administração pública de Niterói está aberta ao diálogo e que continuará a investir em programas que tragam paz e prosperidade para a nossa população”, comenta.

O presidente da Câmara de Niterói, vereador Milton Cal (PP), já tinha comentado durante a sessão plenária que tinha achado “muito estranho” o fato da decisão ter acontecido justamente após o ex-prefeito Rodrigo Neves ter ultrapassado Cláudio Castro na pesquisa divulgada em agosto, pelo Instituto Gerp, para governador do Rio em 2022.

Ele também comentou que teve uma conversa com o secretário municipal de Ordem Pública, coronal Paulo Henrique, que admitiu, segundo o parlamentar, que já vinha negociando a renovação com o governador há três meses. Entretanto, não teve sucesso no pedido. Em contato com a reportagem, Cal salientou a preocupação com o futuro sem o programa ter o apoio do município.

“Como cidadão niteroiense e presidente da casa legislativa eu acompanhei a diminuição da criminalidade com a implantação do Programa Niterói Presente e estou disposto a acompanhar os demais membros da casa em um diálogo com o governador caso ele esteja disposto a isso. Minha reação inicial com a notícia foi de incredulidade em função da cooperação que até o momento existia entre o Município e o Governo do Estado. Depois cogitei o crescimento da pré-candidatura do ex-prefeito Rodrigo Neves como um possível fator para o que seria uma retaliação por motivos políticos que visam as próximas eleições”, afirmou o presidente Cal, que adiantou que vai cobrar a manutenção dos bons índices do Estado, novo responsável pela iniciativa.

E o vereador Dado (Cidadania), presidente da Comissão Permanente de Segurança Pública e Controle Urbano afirma que soube da notícia pouco após o fim da sessão ocorrida quinta (2) na Câmara de Niterói. Reconhecendo ter sentido “muita tristeza”, ele espera que o programa substituto Segurança Presente Niterói tenha o mesmo êxito que o anterior. Apesar dessa torcida, ele pretende ter uma reunião com outros colegas junto com o governador.

“Eu sugeri ao presidente de Casa, o Milton Cal, que a gente tenha uma conversa com o Cláudio Castro, no Palácio Guanabara, para acompanhar todos os passos desse novo programa. O estado, na prática, está voltando a ter uma responsabilidade que tinha sido assumida anteriormente pelo ex-prefeito Rodrigo Neves, que brilhantemente administrou essa iniciativa. Como morador e alguém que é nascido e criado na Zona Norte de Niterói, torço para que esse novo programa atenda a todo o município e cuide bem dos cidadãos niteroienses”, opinou Dado, que acrescentou ainda não ter uma data definida para essa reunião acontecer.

E o secretário municipal de Esporte e Lazer Luiz Cláudio Gallo falou categoricamente que essa é uma atitude política do atual governador, pensando na campanha do ano que vem.

“O Cláudio Castro já está trazendo 2022 para 2021, pois já quer criar alguns problemas nos municípios que não o apoiam, como é o caso de Niterói. O tema da segurança pública tem que ser tratado com muita seriedade. E coube a cidade a iniciativa em criar o CISP, o Centro Integrado de Segurança Pública. Mas esse atual programa conseguiu uma façanha, reduzir o número de motos que vão fazer o patrulhamento móvel. Antes, com o Niterói Presente, eram 34. Agora, com esse novo projeto anunciado pelo governo estadual, são 17. Queria deixar meu repúdio ao governador por ter tomado essa atitude.”, criticou Gallo.

Embora tenha criticado duramente Castro, Gallo saliente que se o programa recém-lançado apresentar resultado será “ótimo”. Mas afirma que ser a iniciativa der errado, que o governador ficará “marcado pela irresponsabilidade” dessa decisão.

“Não dá pra fazer politicagem com segurança. Torço para que esse novo projeto dê certo, mas dificilmente não será executado dentro do planejamento que Niterói conseguiu fazer”, opinou Gallo.

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