Aumentam os transplantes de órgãos no Estado do Rio

Anderson Carvalho –

Tendo recebido um transplante de coração no dia 31 de janeiro deste ano, José Victor Carvalho, de 21 anos, morador de São Gonçalo, no bairro de Alcântara, está tentando iniciar uma nova vida. Após ficar vários meses internado, procura caminhar e sonha até em fazer faculdade. Para ele e outros tantos que recebem um novo órgão, o momento é como um renascimento. O estado do Rio contabilizou 723 transplantes de órgãos sólidos como coração, fígado, osso e rim em 2018, contra 643 no ano anterior, o que mostra um interesse maior dos cidadãos em doarem os órgãos. Os dados são do Programa Estadual de Transplantes (PET), da Secretaria de Estado de Saúde.

Desde que voltou para casa, após a cirurgia, José Victor procura caminhar pelas ruas de Alcântara. “Nos primeiros dias, eu andava dez metros diariamente. Agora, são quarenta. Também estou dormindo melhor. Antes da cirurgia, não conseguia ficar deitado reto na cama. Só dormia sentado, pois sentia falta de ar. Agora, consigo dormir normalmente”, relata o rapaz, que sonha em tentar, em 2020, faculdade de gastronomia.

A adaptação está sendo gradual. Sempre que recebe visitas ou sai à rua, José Victor precisa usar uma máscara para evitar o contato com bactérias, pelo menos nos seis primeiros meses. A alimentação também é regrada. “Evito frituras, enlatados, frutos do mar. Todo alimento tem que ser cozido, inclusive os legumes. Tudo tem que ser consumido em no máximo dois dias”, conta. Apesar das restrições e de ter que tomar medicação diariamente pelo resto da vida para evitar rejeição do novo coração, para o jovem está valendo a pena todo o sacrifício. “Antes, com qualquer esforço eu sentia falta de ar. Não tinha disposição para nada e o meu coração estava fraquinho”, lembra. O transplante foi feito porque os médicos diagnosticaram, em 2017, que ele estava com insuficiência cardíaca. A cirurgia foi feita no Instituto Nacional de Cardiologia, no bairro de Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, após ter entrado na fila de espera no dia 25 de janeiro.

Segundo o PET, o transplante de José foi o primeiro de 2019. No primeiro trimestre deste ano foram realizados 152. O programa foi criado em 2010. Atualmente, em média, cerca de 72% das famílias abordadas pelo PET dizem sim à doação de órgãos. O programa conta com a parceria do Batalhão de Choque da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros para agilizar o transporte de órgãos.

Para aumentar o número de doadores, as equipes da Coordenação Familiar do PET também realizam, desde 2015, palestras de conscientização em empresas, instituições e diferentes entidades para falar sobre o assunto. Além disso, o programa disponibiliza o site, onde as pessoas que querem se declarar doadoras podem se cadastrar, além de imprimir o Cartão do Doador. Apesar de não ser um documento legal, uma vez que somente familiares diretos podem autorizar a doação, o cadastro visa estimular as famílias que discutam o assunto. A legislação brasileira determina que apenas parentes diretos de pacientes com diagnóstico de morte encefálica têm o direito de autorizar a doação de órgãos e tecidos.

A funcionária pública estadual Kátia Lobo, de 57 anos, mãe de dois filhos, doou o seu rim para o pai quando tinha 29 anos. “Graças a Deus, sem nenhum problema. Meu pai viveu mais 20 anos após o transplante. Foi um ato de amor, que se tivesse que fazer de novo, eu o faria. Você perde uma costela, um pedaço da ureter e leva 53 pontos na barriga. Mas não significam nada pela importância do ato”, afirma Kátia, moradora do bairro da Engenhoca, em Niterói. A cirurgia foi feita no Hospital Pedro Ernesto, no Rio.

A jornalista Karla Barcellos, de 46 anos, recebeu um transplante de córnea aos 17. “Cortei a córnea com uma tampinha de refrigerante. Na época não se falava muito em transplante no Brasil e operei no Instituto Hilton Rocha, em Belo Horizonte. Foi tudo muito novo e desconhecido. Sou extremamente grata à família do doador, o maior gesto de amor que alguém já fez por mim. Na época, não tinha fila de espera e o hospital era referência mundial”, lembra Karla.

O Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo, no bairro do Colubandê, é a unidade que mais realizou captação de órgãos no estado em 2018, com um total de 45 doações. Nos fundos da instituição há o Jardim do Doador. Ao tomar a decisão de doar um órgão após o óbito do paciente, familiares têm a oportunidade plantar um jasmim no local, que simbolizam a vida de cada doador. Os hospitais estaduais Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias; Getúlio Vargas, no Rio; e Azevedo Lima, no bairro do Fonseca, em Niterói, também fazem a captação.“A doação de uma única pessoa pode significar até sete transplantes, mudando a vida de muita gente”, explica Gabriel Teixeira, coordenador do PET.

Outros centros de transplante no estado são: INC, Hospital Pró-Cardíaco, Hospital Copa Star, Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, Hospital Geral de Bonsucesso, Hospital Universitário Pedro Ernesto; Hospital Quinta D’or, Hospital São Francisco de Assis, Hospital Adventista Silvestre, Hospital São Lucas, Centro Pedriátrico da Lagoa e Hospital da Criança, no Rio de Janeiro; Hospital São José do Avaí, em Itaperuna; Centro Hospitalar de Niterói e Hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói; e o Hospital Unimed, em Volta Redonda.

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