Audiência revela novos detalhes sobre Flordelis

Vítor d’Avila

Aconteceu, na manhã de sexta-feira (4), a terceira audiência de instrução referente à segunda fase da investigação que apura o assassinato do pastor Anderson do Carmo. Apontada como mandante do crime, a deputada federal Flordelis (PSD-RJ) esteve presente, na companhia de seus advogados.

A deputada chegou ao Fórum por volta de 9h20min (20 minutos atrasada). O Ministério Público arrolou cinco testemunhas, com a convocação de uma sexta durante a audiência, para serem ouvidas pela juíza Nearis dos Santos carvalho Arce, da 3ª Vara Criminal de Niterói. Todas são de acusação. De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, ainda não há previsão para que o processo seja concluído.

Um dos depoimentos mais impactantes foi de Rogério dos Santos Silva, homem que manteve relacionamento com Simone, filha de Flordelis. Ele afirma que foi convidado a executar o pastor Anderson do Carmo por sua ex-amante. Simone teria dito que o líder religioso havia a agredido.

Ele contou que frequentou a igreja da família, entre 2010 e 2017, junto com sua esposa e filhos, que namorava uma das filhas de Simone. Entretanto, deixou o ministério por vontade própria. Rogério iniciou relacionamento com a filha da parlamentar após levar a filha dela, junto com sua família, para uma viagem no Carnaval de 2018.

“Logo depois da viagem briguei com minha esposa e saí de casa. Vi que poderia ter um relacionamento com Simone. A gente saia para hotel e ficamos um tempo assim. Era somente relação sexual”, afirmou.

Eles mantiveram o romance entre os meses de março e junho de 2018. Durante esse período, o homem recebeu uma ligação na qual Simone havia dito que havia sido agredida com um golpe no rosto por Anderson do Carmo após este se desentender com um de seus filhos.

“Simone me ligou nervosa e disse ‘vou matar esse demônio'”, disse. Todavia, Rogério admitiu não ter certeza de que essa agressão do pastor a Simone aconteceu de fato. O homem afirma que “se sentiu no direito de fazer algo”, quando foi questionado pela ex-amante se teria coragem de matar o pastor.

Ainda no depoimento, o homem afirmou que não sabia como faria aquilo, mas Simone se comprometeu a providenciar uma arma. Além disso, no depoimento, Rogério disse que Flordelis tinha consentido com a trama planejada pela filha.

Rogério ainda contou que Simone o revelou que estava tentando matar Anderson do Carmo por meio de envenenamento na comida, sem sucesso. O motivo do crime seria o fato de o pastor ser “um ditador no controle das finanças da família”.

O homem disse ter desistido de cometer o assassinato após “pensar em seus filhos”. Ele ainda contou que chegou a ser ameaçado, por meio de ligação, num episódio em que sua família vazou conversas íntimas entre ele e Simone. “Recebi uma ligação e a pessoa falou que se o conteúdo vazasse eu ia sofrer consequências”, relatou.

A viúva do senador Arolde de Oliveira, empresária Yvelise de Oliveira, também foi arrolada e prestou depoimento por vídeo conferência. Ela negou que tivesse relação próxima com Flordelis. O depoimento dela foi um dos mais breves da audiência.



Maus tratos

No momento em que a audiência foi interrompida para almoço, durante a saída da deputada, houve um princípio de tumulto e uma profissional de imprensa afirmou ter sido agredida por um dos seguranças da parlamentar. A jornalista alega ter tido agarrada pelo pescoço.

Flordelis negou acusações feitas por pessoas que prestaram depoimentos sobre maus tratos as crianças que moram em sua casa. “Querida, você acha que esses anos todos se eu fizesse isso… 30 anos… o Ministério Público… isso não existe. Vai na minha casa ver meus filhos como são tratados”, se defendeu, na saída tumultuada.

Durante a semana, uma adolescente que morava na casa de Flordelis foi levada a um abrigo de menores. A menina publicou na internet imagens em que se auto-mutilou no braço, escrevendo as palavras “eu sou lixo”.

Outros depoimentos – Entre os cinco arrolados, também estava a filha adotiva da parlamentar Kelly Cristina dos Santos, que solicitou que a imprensa não acompanhasse seu depoimento. Durante a audiência, Vivian Maria Silva de Oliveira foi citada e acabou sendo a sexta testemunha arrolada. Ela foi a última a depor e também pediu que não houvesse presença de jornalistas.

Relações sexuais e rituais – A primeira testemunha a depois foi Fábio Lopes da Silva. Ele viveu na casa de Flordelis na segunda metade dos anos 90. Ele afirmou que chegou a manter relações sexuais com a deputada e participar de rituais considerados “simples”.

“A gente participava de rituais simples mas eu não podia participar dos rituais secretos. Teve um ritual em que o Anderson ficou nu, dentro de um círculo, e foram ditas várias palavras. Havia relações sexuais. Cheguei a praticar atos com ela [Flordelis]”, explicou.

Alexander também fez um relato no mesmo sentido. De acordo com ele, os filhos de consideração André e Carlos mantinham relações sexuais com Flordelis. Além disso, era comum a realização de orgias.

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