Audiência do caso Flordelis é marcada por acusações contra a parlamentar

Na sexta-feira (27) aconteceu mais uma audiência no Fórum Desembargador Enéias Marzano, no Centro de Niterói, para esclarecer a morte do pastor Anderson do Carmo. Ao todo foram ouvidas cinco testemunhas de acusação para dar continuidade ao processo que investiga a morte do marido da parlamentar. A deputada chegou ao Fórum, dessa vez sem atrasos, chorando e sem falar com a imprensa, acompanhada do seu advogado Anderson Rollemberg.

A primeira pessoa ouvida foi a esposa do filho da deputada, Wagner Andrade Pimenta, conhecido como Misael, Luana Rangel Pimenta. A nora de Flordelis fez graves acusações contra a sogra, disse que a morte do pastor teria sido uma trama familiar e que o próprio pastor sabia disso. Ela também reafirmou que ele foi envenenado várias vezes.

Durante a audiência da nora da deputada Flordelis, Luana Rangel Pimenta, a parlamentar chorou por duas vezes. Luana contou que a sogra justificava a morte do pastor Anderson do Carmo por ele estar atrapalhando a obra de Deus e não acredita em sentimento da pastora.

Luana ainda afirmou que em uma das vezes que o pastor foi hospitalizado, Flordelis não demonstrou sentimentos.

“No hospital para onde o pastor foi levado, ficamos atordoados. Fui dar assistência a Flordelis e ela não estava chorando de verdade. Eu conheço quando ela está chorando de mentira”.

Ainda em relação as reações da deputada, Luana afirmou que ‘se (ela) chorou no enterro, foi de remorso. Entre 2018 e 2019 Flordelis disse várias vezes a frase que ele (Anderson) iria morrer porque estava atrapalhando a obra de Deus”.

A segunda testemunha foi o próprio Misael, que pediu para que todos os réus, inclusive Flordelis, fossem retirados da audiência. A terceira testemunha ouvida foi Regiane Rabelo, que sofreu um ataque a bomba em sua casa, na noite do dia 3 de setembro. Ela e o marido, que são donos de uma oficina mecânica próximo à residência de Flordelis, são ex-patrões do Lucas, preso por suspeita de participação na morte de Anderson.

“Eu eu meu marido chegamos, vimos um pouco de TV e logo depois fomos dormir. Por volta das 23h ouvimos um barulho muito forte e um clarão que veio do quintal. A minha vizinha me ligou assustada, todos os vizinhos acordaram. Quando meu marido chegou do lado de fora, a bomba ainda estava soltando fumaça. Eu liguei para a Polícia Militar, no dia seguinte a Delegacia de Homicídios foi na minha residência e recolheu tudo. Inclusive, eu entreguei a eles imagens das câmeras onde é possível ver um carro passando na porta da minha casa na hora do acontecido. Esse carro me seguiu”, disse Regiane.

Regiane deu declarações que ainda não tinha dado em outros depoimentos, como a de que Flordelis teria duas religiões.

“Ela só é evangélica porque a igreja dá dinheiro. Mas a primeira religião dela é o espiritismo. Ela procurava os centros para conseguir o que queria, que era a fama. Mas a igreja ela tratava como empresa. Conhecer Jesus para eles era uma forma de ganhar dinheiro”.

DUAS RELIGIÕES

Regiane ainda relatou um episódio, que diz ter vídeos para comprovar, envolvendo os rituais que Flordelis fazia em casa.

“Ela tinha um quarto em casa, em que só as pessoas selecionadas entravam. Era o quarto onde ela fazias as coisas do espiritismo. Ela fazia trabalho para acabar com casamentos, para manter as pessoas sempre presas a ela. O pastor Carlos que está aqui presente, pode confirmar, que ele mesmo viu saindo duas malas da casa dela, onde tinham utensílios usados nesses trabalhos. Ela colocou tudo na porta da igreja dela em Pendotiba, e chamou a imprensa dizendo que tinham feito macumba pra ela”, relatou.

A todo instante Regiane se referia a família da Flordelis como organização criminosa e chamou Simone dos Santos, filha biológica de Flordelis, de sonsa e manipuladora. Assim como Lorraine, filha da Simone e neta de Flordelis, que Regiane disse ser “uma pessoa muito perigosa e que pode tramar outro crime”.

Depois de todas as denúncias, inclusive a de que sete crianças estariam sofrendo maus tratos na casa, Regiane disse que se sente ameaçada pela liberdade de algumas pessoas da família.

“Enquanto ela estiver solta, vai continuar cometendo crimes. Hoje sinto medo. Queria, inclusive, pedir ajuda para o Ministério Público, para que colocassem uma viatura na porta da minha residência porque eu me sinto ameaçada. Eu tenho medo”, disse.

A testemunha Regiane Rabello, também afirmou em audiência que uma das filhas adotivas da deputada, se automutilou após uma briga com a parlamentar. A adolescente de 15 anos, feriu o próprio braço com gilete após ser chamada de lixo por Flordelis. O fato teria acontecido há duas semanas.

O advogado de acusação, Ângelo Máximo, apresentou as fotos que seriam o braço de Ágatha, com a frase “EU S LIXO”. Regiane afirmou que a adolescente foi expulsa da casa após uma briga com a deputada.

Regiane denunciou que, além da Ágatha, outras seis crianças da casa sofrem maus tratos. Ela disse que as crianças passam fome na casa e que somente os filhos preferidos de Flordelis têm acesso a melhor comida. Regiane pediu que o Ministério Público investigue a situação dessas crianças e coloque elas em um abrigo.

A juíza Nearis dos Santos afirmou que determinará o envio de cópia do depoimento de Regiane para a Vara de Infância e Juventude, além do Conselho Tutelar.

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