Audiência de conciliação com rodoviários pode definir greve da categoria

A possibilidade de greve dos rodoviários está mais próxima de ser definida, afetando usuários do transporte coletivo das cidades de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Tanguá. A audiência de conciliação entre a categoria, através do Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac), e o Ministério Público do Trabalho (MPT), marcada na semana passada, foi transferida para quinta-feira (27), às 10h. Já para os trabalhadores da Região dos Lagos, essa terça-feira (25), entre 10h e 15h está agendada uma assembleia para análise da proposta do corte dos 50% dos salários dos trabalhadores.

O Sintronac informou que a proposta patronal atual é de pagamento de 50% dos salários e redução no valor da cesta básica, que passaria de R$ 280 para R$ 120. Os rodoviários querem a manutenção do Acordo Coletivo, que vigora até 1º de novembro, com salário, férias e 13º integrais, além de todos os benefícios e estabilidade no emprego por três meses. Pelo menos 2 mil trabalhadores foram demitidos na área de atuação do Sintronac e, desde 31 de julho, a categoria não recebe mais o auxílio emergencial do Governo Federal, que compunha 70% dos salários. O benefício emergencial pode compor o equivalente a 70% do teto do Seguro Desemprego, tendo como referência os salários dos rodoviários. Sua liberação, por mais dois meses, além de garantir a estabilidade no emprego para a categoria, também amenizaria momentaneamente a crise no setor, ameaçado por demissões em massa, cortes nos salários e benefícios.

“Os trabalhadores não podem mais pagar essa conta. Existe um fato, que é a rejeição, pelos rodoviários, da perda de seus direitos. Abriram, inclusive, uma margem de negociação de corte de até 20% em seus salários, com redução da jornada de trabalho. Mais do que isso, a categoria irá literalmente passar fome, pois os salários já estão defasados. Isso é uma decisão da assembleia de trabalhadores, que é soberana em direcionar toda a luta da classe”, assegurou o presidente do Sintronac, Rubens dos Santos Oliveira.

Na semana passada a categoria discutiu sobre a proposta da patronal sobre as reinvidicações dos trabalhadores. Segundo o Sintronac os representantes das empresas afirmaram que, até o final do ano, terão que promover cortes entre 30% e 40% em suas folhas de pagamento, o que significaria, somente na base do Sintronac, demissões de pelo menos 5,4 mil a 7,2 mil rodoviários. As companhias afirmam ainda que vão parcelar o valor das rescisões e que as empresas alegam total falta de recursos, agravada pela pandemia do coronavírus, para oferecer pagamento de apenas 50% dos salários e redução no valor da cesta básica, que passaria de R$ 280 para R$ 120.

POSICIONAMENTO DAS EMPRESAS

O Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Setrerj) foi procurado pela reportagem e informou que a situação financeira do setor de transporte é extremamente difícil em todo o país. Com o isolamento social, a soma do prejuízo das empresas que compõem a região do Setrerj, até maio, foi de aproximadamente R$ 22 milhões, somente no sistema municipal, que, no período, teve uma redução de demanda de 70%. No sistema intermunicipal a redução foi ainda maior, já que durante toda a quarentena as linhas intermunicipais com destino à capital ficaram completamente paradas. Mesmo com a retomada parcial da economia, a demanda ainda está muito aquém da anterior à pandemia da Covid-19. A Fetranspor contabiliza que o prejuízo do setor pode chegar a R$ 1 bilhão até o final do ano, em todo o estado. Ainda segundo o informe nesse momento acontece a negociação salarial das empresas com os profissionais, com a intermediação dos sindicatos. Como a receita ainda está muito menor que o esperado, as empresas não têm como pagar o salário integral dos trabalhadores. Como proposta, para que não haja mais demissões, propuseram pagar o mínimo de 50% do salário e benefícios, com redução da carga horária na mesma proporção. Esse percentual pode ser maior, dependendo da condição financeira de cada empresa, que pode oferecer aos seus empregados percentuais mais altos que os 50%. A radicalização, nesse momento, com decretação de greve, será prejudicial a todos: população, que ficará sem ônibus, profissionais do setor, que poderão ser dispensados, e empresas, que não têm como garantir a manutenção do serviço.

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