Ato em defesa de Rodrigo: “sensação térmica é de 50ºC na prisão”, diz prefeito

Pedro Conforte, Raquel Morais e Wellington Serrano –

“Dez dias após ter sido violentamente retirado de minha casa, de minha família e das minhas funções como chefe do executivo de Niterói, preso em um lugar cuja a sensação térmica chega a 50°C (…)”, assim começou a carta que Rodrigo Neves fez à população da cidade, lida pela sua esposa, Fernanda Sixel, visivelmente emocionada. Ontem, apoiadores do prefeito realizaram um ato na Câmara de Dirigentes Lojistas de Niterói (CDL), no Centro de Niterói, mas que começou com quase duas horas de atraso por conta de uma confusão. Um grupo a favor da prisão do Rodrigo Neves discutiu com os presentes, houve empurra-empurra, que só cessou com a chegada da Polícia Militar.

A reunião foi marcada após o pedido de Habeas Corpus ser indeferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na última quarta-feira. O encontrou contou com a presenta de dezenas de aliados políticos, familiares e muitos apoiadores, que lotaram o auditório da CDL. Antes do ato começar, um grupo ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL) tentou entrar no prédio, mas foram colocados para fora depois de um princípio de confusão, que se estendeu até a calçada. Houve dedo na cara e muito xingamento entre os grupos opostos. Por conta disso, a administração trancou o portão da CDL, impedindo quem estivesse dentro saísse e que os demais de entrar. Deputados, políticos e idosos foram deixados para fora e só conseguiram entrar cerca de 40 minutos após com a chegada da PM.

Dentro do auditório, a irmã de Rodrigo Neves, Adriana Neves, precisou ser consolada por parentes e pela mãe, Maria Luiza Neves Barreto. Ao lado da filha mais nova de Rodrigo, as três acompanharam da primeira fila o discurso de Fernanda Sixel. Ela foi a primeira a falar e abriu o discurso lendo a carta enviada por seu marido, onde se diz perplexo e indignado por conta de sua prisão, já que segundo ele, “tais graves decisões [prisões] foram tomadas com base exclusivamente em uma delação de um réu confesso que, está livre e vive com uma boa quantia de milhões de dólares fruto de corrupção”.

Na carta, ele explica que não conhecia Marcelo Traça e que fez de tudo pelo bem de Niterói, além de garantir que tem fé que a justiça será feita e ele voltará à família e terminará o mandato. Entre lágrimas, Fernanda ainda discursou, dizendo que neste tempo em que está preso Rodrigo ainda não prestou depoimento. “Pegar uma pessoa e arrancar de sua casa, sem direito de se defender, não podemos naturalizar algo que não é natural”, desabafou.
Em nota, a defesa de Neves justificou que Rodrigo não é réu. Além disso, seus advogados levaram quatro dias para ter acesso ao processo e ainda não há data prevista para que a família possa visitá-lo. O texto dizia ainda que Rodrigo não tem bens nem patrimônio que corroborem a tese da acusação. Sua família tem vida simples e, inclusive, existem dívidas bancárias e de cartão de crédito em nome do prefeito, que está com o nome inscrito no SPC, assim como milhões de brasileiros.

ALTERAÇÕES DOS REGIMES TAMBÉM NEGADOS
Após o pedido de habeas corpus ao prefeito de Niterói ser negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), assim como o de João Carlos Felix Teixeira (presidente do consórcio Transoceânico e sócio da Viação Pendotiba), os outros dois presos na Operação Alameda também tiveram os pedidos de alteração da forma de regime prisional negados. Os requerimentos queriam alterar a prisão preventiva para domiciliar de Domício Mascarenhas de Andrade (ex-secretário municipal de obras) e de João dos Santos Silva Soares (presidente do consórcio Transnit e sócio da Auto Lotação Ingá).

O pedido de alteração do regime para Domício foi justificado por uma dificuldade renal, após a extração de um rim por causa de um câncer, fazendo com que ele necessite de cuidados mais específicos. O pedido de João dos Anjos se baseou em sua idade, 80 anos, além de doenças crônicas como diabetes e hipertensão arterial.

A Operação Alameda, um desdobramento da Lava Jato, apontou a cobrança de 20% em cima dos vencimentos da gratuidade de passagens do transporte público, o que gerou um rombo nos cofres públicos de mais de R$ 10 milhões.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *