Ato contra Sergio Moro é realizado na UFF

Wellington Serrano –

Aos gritos de “Nenhum passo atrás, tortura nunca mais”, centenas de estudantes, juristas, professores, políticos e movimentos sociais defenderam na noite de ontem, na Faculdade de Direito da UFF (Universidade Federal Fluminense), em Niterói, o estado democrático de direito e cobraram uma investigação séria e rigorosa sobre a conduta do atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, que, segundo eles, em conluio com membros do Ministério Público Federal, violou uma série de leis durante a condução da Lava Jato, transformando a Operação em uma perseguição política para atingir pessoas e fins específicos.

Segundo o diretor da Faculdade de Direito da UFF, Wilson Madeira Filho, a universidade deve ter sempre a garantia de debate dos grandes temas, as perspectivas possíveis e as necessidades temáticas da sociedade. “Se não for assim a Faculdade de Direito não estaria cumprindo o seu papel. Por isso, é absolutamente crucial que seja desta maneira”, ressaltou.

Segundo Madeira, o enfrentamento do fascismo é necessário. “Quando tivemos que nos colocar contra a Reitoria foi no sentido de pensarmos a elaborar estratégias conjuntas. Claro que a gente entende que é preciso recuar para avançar, mas a gente não pode só recuar. Temos que garantir a resistência e demonstrar que a universidade é de fato pública e que aqui é o lugar da autonomia crítica”, declarou Madeira, num recado claro para o reitor Antônio Claudio, que a pedido do ministro da Educação, Abraham Weintraub, aliado de Moro no governo de Jair Bolsonaro, havia proibido o ato nas dependências da instituição.

Segundo a dirigente da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), Gisele Cittadine, quando um magistrado assume um dos lados do processo acontece um desequilíbrio na democracia. “Bolsonaro, que é autoritário e neoconservador, planeja excluir os espaços de participação social, atuando através de medidas provisórias e constrange seu povo diariamente. Ele projeta domínio nas áreas estudantis e a lapidação do patrimônio cultural”, realçou Cittadine.

Para o deputado estadual Waldeck Carneiro (PT) é preciso, antes de mais nada, reafirmar o princípio constitucional da autonomia universitária. “Afinal, as universidades são espaços de livre expressão, de livre criação, de livre manifestação do pensamento. Esse entendimento já está inclusive pacificado no STF”, ressaltou o deputado.

Marcaram presença: os deputados federais, Glauber Braga e Talíria Petrone (Psol); o deputado estadual Flávio Serafini; os vereadores Leonardo Giordano (PCdoB), Reimont e Verônica Lima (ambos PT) e Paulo eduardo Gomes (Psol). Entre os juristas estiveram, Afrânio Silva Jardim, Wadih Damous, Nadine Borges, Álvaro Quintão, Rogério Dultra, Sérgio Verani, Luciana Boiteux, Orlando Zaccone, Danilo Pereira (MTST), Luana carvalho (MST), Roseli Goffman (CRP-RJ) e Olímpio Santos (Senge-RJ).

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