Ato contra feminicídios reúne mulheres em frente à Prefeitura de São Gonçalo

‘É feminicídio, amor não mata’. A frase de ordem é o lema de manifestação que acontece, na manhã desta quarta-feira (9), em frente à sede da Prefeitura de São Gonçalo. Mulheres de diferentes movimentos sociais realizam o ato em memória de Ana Carolina Pereira Lopes e Vitórya Melissa Mota, vítimas de feminicídio, recentemente, em São Gonçalo e Niterói.

Uma das organizadoras do evento, a ativista Maria Clara, integrante da União da Juventude Socialista 9UJS) explicou sobre quais são as bandeiras defendidas no ato realizado nesta quarta. As principais bandeiras são maiores investimentos em políticas públicas de combate a qualquer tipo de violência contra a mulher.

“O objetivo é denunciar os crimes de feminicídio que acontecem no nosso país e pedir mais investimento e políticas públicas de combate à violência contra a mulher e aos crimes de ódio contra a mulher. Denunciar, pedir Justiça por Vitórya, por Ana Carolina e tantas outras vítimas que têm suas vidas ceifadas diariamente pelo racismo”, disse.

Ativistas protestam em frente à Prefeitura de São Gonçalo – Foto: Marcelo Feitosa

Além da UJS, diversos movimentos sociais se uniram ao evento. Maria Clara prossegue afirmando que os casos de Ana Carolina e Vitórya não foram isolados mas sim, de acordo com sua concepção, fruto de uma sociedade na qual homens acreditar ter domínio sobre as mulheres, os corpos delas, se achando no direito de agredi-las e tirar suas vidas quando bem entenderem.

“É justamente tratar a pauta do feminicídio com mais atenção. Independente dos movimentos feministas, a gente entende que esses crimes fatais precisam ter mais atenção e visibilidade para que a gente consiga combatê-los. Esse padrão é determinado por conta da sociedade patriarcal, em que os homens acham que são proprietários dos nossos corpos e têm direito de tirar nossas vidas”, completou.

Série de manifestações

Desde a morte de Vitórya, há uma semana, quando foi assassinada a facadas por um ex-colega de curso, no interior do Plaza Shopping, diversas manifestações contra a violência foram realizadas. Os atos se intensificaram após o assassinato de Ana Carolina, na manhã de ontem, em São Gonçalo, quando foi atacada, também a golpes de faca, pelo companheiro.

Um ato organizado pelo coletivo Levante Feminista reuniu cerca de 100 pessoas na entrada do Plaza Shopping na noite de segunda-feira (7) para pedir “Parem de nos matar”. Um grito de socorro pela violência sofrida pelas mulheres que tem como fim, a morte. A família de Vitórya Melissa estava presente no ato pedindo justiça. A jovem foi morta a facada dentro do shopping no último dia 2 de junho por um colega de estudo que não aceitou o fato de não ter seu sentimento correspondido por Vitórya.

No sábado, a UJS, junto com o coletivo Elza Monnerat estendeu, no último sábado (5), na ponte da Boa Viagem, uma faixa pela vida das mulheres e em protesto contra o feminicídio. A UJS lembra que “a cada duas horas uma mulher é assassinada no Brasil, que ocupa o 5º lugar no ranking mundial de países com o maior número de feminicídios”.

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