Atletas do Leste Fluminense querem fazer bonito em Paris-2024

Representantes de Niterói, São Gonçalo, Maricá, Itaboraí e Tanguá contam com o apoio de projeto entre a Martinha e a Caixa Econômica Federal

O Brasil mandou muito bem nas Paralimpíadas de Tóquio. Com recorde de medalhas de ouro (22) e igualando a maior quantidade de medalhadas da história (78), que ocorreu no Rio-2016, o país terminou em 7º lugar no quatro de medalhas e deseja fazer bonito em Paris-2024. E a próxima edição dos Jogos Paralímpicos devem contar com mais representantes do Leste Fluminense.

Na edição que se encerrou no domingo, a região contou com quatro representantes. De São Gonçalo foram três atletas, sendo dois no atletismo – Emanuel Victor de Souza de Oliveira no arremesso de peso classe T37 e Fábio Bordignon nos 100 e 200 metros T35 – e um no vôlei sentado masculino, com Wescley Conceição de Oliveira.

Já Itaboraí teve a nadadora Mariana Gesteiro Ribeiro, autora da única medalha conquistada entre os competidores do Leste Fluminense. Ela foi bronze nos 100 metros livre da classe S9, voltada para deficientes visuais. E para as próximas paralimpíadas, a região quer aumentar a quantidade de atletas.

Contando com o apoio da Caixa Econômica Federal, que destina parte do que é arrecadado das loterias para o investimento no esporte paralímpico, a região conta com 13 atletas que integram o projeto, que conta com o auxílio da Marinha do Brasil, que atual como parceiro da estatal nesta iniciativa.

E entre os aspirantes a Paris, dois são considerados destaques no projeto: Bruno Marins, velocista, e Naiara Ramalho, que compete no arremesso de peso. Ambos são do atletismo.

Bruno é nascido, criado e mora em São Gonçalo. Ele nasceu com má formação na mão direita, onde praticamente não tem os dedos. Por isso, ele compete na classe T37, destinada a quem teve os membros superiores (braços e mãos) amputados ou com deficiência desde nascença, como é o caso dele.

Competindo nos 100 e 200 metros rasos, ele explica que está treinando forte para fazer bonito daqui a três anos na França. Inspirando-se em Fábio Bordignon, Bruno admite que é motivo de muito orgulho defender São Gonçalo e que está preparado para continuar o legado do conterrâneo, de quem se diz amigo.

Bruno Marins compete nos 100 e 200 metros. Foto: Divulgação

“Para mim é um prazer muito grande poder representar minha cidade nas próximas paralimpíadas. Quero continuar com o trabalho feito pelo Fábio Bordignon, de quem sou muito fã e aprendi muito. Espero fazer o que ele fez e estrou preparado para seguir com tudo o que o Fabinho conquistou para continuar fazendo história com o nome de São Gonçalo”, conta.

Bruno, de fato, tem um retrospecto que o credencia para estar em Paris. O atleta foi outro no Mundial Júnior de Atletismo Paralímpico, realizado em 2013 em Porto Rico. Na ocasião, ele foi o vencedor nos 100 e 200 metros. Além disso, no mesmo ano foi vice-campeão mundial adulto.

Esporte como sugestão de terapia mudou vida de vítima de assalto

Naiara Ramalho é de Maricá e, ao contrário, de Bruno, nasceu sem deficiência. Mas um assalto sofrido em uma estação de trem em Mesquita, na Baixada Fluminense, ressignificou sua vida em definitivo.

Em 2015, ela voltava de uma aula da Universidade Rural, que cursava em Nova Iguaçu, também na Baixada. Mas a tentativa de fuga de um assalto acabou causando um acidente que a fez perder o braço direito.

“Eu estava voltando da faculdade, fui assaltada dentro da composição de trem, quando saí pra buscar ajuda a porta da composição fechou e assim fiquei presa pela mochila o trem saiu me arrastando. Passei pelo espaço do trem e a plataforma e caí no trilho. Só deu tempo de tirar a cabeça do trilho, mas não consegui fazer o mesmo com o braço e amputou praticamente na hora. Pelo tempo de espera que fiquei no trilho era pra ter morrido, mas, Deus não quis assim”, recorda.

Naiara Ramalho compete no arremesso de peso. Foto: Divulgação

Após receber alta, ela começou a fazer a reabilitação no Instituto Nacional de Trauma e Ortopedia (INTO), no Caju, na Zona Portuária do Rio. Um psicólogo recomendou que ela fizesse uma atividade física como auxílio na terapia à depressão. Só que mal sabia ela que o técnico do projeto paralímpico, Claudemir Santos, percebeu nela um potencial para o esporte.

“Surgiu a oportunidade de representar a faculdade na paralimpiada universitária. Eu não acreditava em mim. Afinal era uma pessoa extremamente sedentária, sabe daquelas que pagam academia e não vão? Prazer, eu (risos). Mas, incentivada por ele fui na competição e conquistei o bronze no dardo e ouro no arremesso. Aí tomei um gostinho por competição. Já competi até um parapan universitário (FISU), no qual ganhei dois ouros. Hoje o esporte me deu novos horizontes e sou uma mulher muito mais feliz. Não me vejo hoje sem o esporte, ele transformou minha vida. Até mudei de ramo na graduação. Terminei História e hoje faço Educação Física” celebra Naiara, que acrescenta estar focada em Paris por ter a certeza que estará nos próximos jogos.

Treinamento em centro esportivo da Marinha

Tanto Bruno quanto Naiara realizam os treinamentos no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN), localizado na Avenida Brasil, na altura da Penha, na Zona Norte do Rio. As instalações pertencem à Marinha, que tem uma parceria com a Caixa desde 18 de março deste ano.

A parceria visa a inclusão social de pessoas com deficiência, por meio do esporte, e permitirá identificar e desenvolver novos talentos paradesportivos, contribuindo com o desporto nacional paralímpico de alto rendimento. No local, as atividades são voltadas para atletismo, natação, halterofilismo e tiro desportivo. Além disso, o acordo prevê a contratação de treinadores e monitores especializados, bem como, recursos para a aquisição de material esportivo específico.

O local conta com uma área de 225 mil metros quadrados, em centro de treinamento com equipamentos e instalações desportivas de última geração para diversas modalidades.

Além de Bruno e Naiara, os demais atletas da região que integram o programa são os seguintes:

Niterói

Gabrielle Gomes – Natação

Ricardo Anapurus – Natação

João Luís – Natação

Luiz Gustavo – Natação

Alessandro Barbosa – Natação

Patrick Carvalho – Natação

São Gonçalo

Lucas Moreira Barth – Atletismo

João Carlos Souza Menezes – Halterofilismo

Itaboraí

Cristiano Silva – Halterofilismo

Itaguaí

Meyriellen Brandt – Tanguá

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