Atividade física e alimentação podem ser aliados contra sequelas da Covid-19

Como se não bastasse os sintomas da Covid-19 que em algumas pessoas é bastante forte, mesmo não levando à internação, agora os pacientes também precisam lidar com as sequelas. Falta de ar, cansaço, alterações cardíacas,
confusão mental, dor, fraqueza muscular, insônia, tontura, são algumas das sequelas que os pacientes estão relatando
com frequência. Pensando nisso, a personal trainer, Ingred Menezes que trabalha ajudando quem ter uma vida mais
saudável através da atividade física, começou a preparar treinos para ajudar na recuperação dessas pessoas.


“Alguns dos meus alunos tiveram a doença e ficaram com sequelas, o que prejudicava um pouco o treino deles.
Como estavam ansiosos para voltar a ter uma vida normal, resolvi começar a preparar um treino que pudesse ajudar
nessa recuperação. Atividades que pudessem ajudar na respiração, no fortalecimento da musculatura”, explica Ingred.


Uma pesquisa brasileira publicada no periódico Frontiers in Physiology diz que as pessoas que estão com algum
problema após a Covid-19, não devem ter medo de retornar às atividades físicas, mas sempre com orientação médica
e de um treinador. A pesquisa indica que os exercícios podem ser uma opção de minimizar algumas sequelas e
recuperar a qualidade de vida. Ingred, inclusive, lembra que a liberação médica é essencial “pois só assim
saberei o nível de sequela que meu aluno se encontra. É através disso que eu monto cada programa de treinamento”.
Ingred diz que o ideal é que o programa de exercícios seja personalizado adaptado de acordo com a necessidade
de cada um.


“Atividades físicas intensas e que elevam muito a frequência cardíaca, devem ser evitados. O treino que faço é personalizado de acordo com o nível de sequela deixado pela doença. Eu recomendo trabalho para fortalecimento muscular para assim evitar a perda de massa magra e garantir a funcionalidade das atividades do dia a dia. Fazendo esse trabalho sem exigir tanto da parte respiratória”.


O pneumologista, Luis Antonio Bertolin, diz que qualquer pessoa que teve covid-19 deve fazer um check-up antes
de voltar a praticar exercícios inclusive quem só apresentou sintomas leve. Para quem desenvolveu quadro moderado ou grave, a atenção deve ser ainda maior, especialmente com pulmões e coração.

“Na parte respiratória, a tomografia é suficiente para saber quanto dos pulmões pode estar comprometido. Já
na parte cardiológica são indicados o eletrocardiograma de repouso, o ecocardiograma, o holter de 24 horas. O
teste ergométrico também é importante para entender como o coração está reagindo ao esforço físico e indicar a
faixa de frequência cardíaca segura para se exercitar”, explica.“ A atividade física é um ‘remédio’ que auxilia no tratamento do paciente que teve covid-19. O treino deve ter uma carga adequada, pois tem o objetivo de melhorar a sua saúde, não o desempenho físico”, completa Bertolin.

ALIMENTAÇÃO PODE INTERFERIR NA RECUPERAÇÃO


Pacientes que ficaram internados com sintomas mais graves da Covid-19 demandam cuidados especiais para atenuar
possíveis sequelas decorrentes da doença. A nutrição adequada é uma forte aliada para a plena recuperação desses
indivíduos. Pensando nisso, a nutricionista Ana Gabrielly Mentorrano traz importantes conselhos sobre o tema, com base em um manual com orientações elaborado pela Sociedade Canadense de Nutrição. O manual contém
dicas de alimentação após a infecção e tratamento pelo coronavírus.

A NUTRICIONISTA Ana Gabrielly Mentorrano indica alimentos como o alho, cebola, aipo, coentro, gengibre, cúrcuma, pimenta preta e outros, que podem ser grandes aliados


“No meu consultório eu já recebi muitos pacientes que passaram dias na UTI e saem de lá com muita dificuldade de alimentação e uma perda de peso altíssima. Nessas circunstâncias, a dieta deve ser ajustada para ser hipercalórica
e, tantas vezes, enriquecida de suplementos proteicos. Para os doentes com dificuldade de deglutição após uma intubação prolongada, é necessário modificar a consistência dos alimentos, priorizando comida em forma de
purês, por exemplo”, explica Ana.


Ela também indica alimentos como alho, cebola, aipo, coentro, gengibre, cúrcuma, pimenta preta e outros, que
podem ser grandes aliados nessa fase de recuperação e que são importantíssimos não só para o combate ao Covid,
mas também de outras doenças.


Ana Gabrielly também frisa que a exposição de vitamina D é super importante e que, além da suplementação em
casos necessários, a exposição ao sol também é fundamental. “O sistema imune depende de micronutrientes
específicos para funcionar bem, como vitaminas A, D, C, E, B6 e B12, zinco, selênio ferro, cobre, folato)
para funcionar bem e combater microrganismos invasores cmo as bactérias, vírus e fungos. Então a dieta que
passo para os pacientes é rica nesses nutrientes”, explica Ana.


Algumas das orientações ao retorno de atividades físicas, baseadas em evidências científicas indiretas:


• Sintomas muito leves: limite a atividade a caminhada lenta ou equivalente nos primeiros dias. Aumente os
períodos de descanso se os sintomas piorarem. Evite treinamento de alta intensidade nas primeiras semanas.


• Sintomas persistentes (como fadiga, tosse, falta de ar, febre): limite a atividade a 60% da frequência cardíaca
máxima até duas a três semanas após a resolução dos sintomas.

• Pacientes que necessitaram de oxigênio: precisam de avaliação respiratória antes de retomar o exercícios.


• Pacientes que tiveram envolvimento cardíaco: precisam de avaliação cardíaca antes de retomar.

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