Atentado na Leste Telecom: Anatel diz que outras empresas de internet sofrem ameaças

O atentado a uma das centrais técnicas da empresa Leste Telecom, na quarta-feira, em Itaipu, Região Oceânica de Niterói, trouxe consigo um alerta para outros casos de intimidação vividos por prestadoras credenciadas por parte de traficantes que exploram internet e telefonia clandestinas, o chamado “gatonet”. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) confirmou, ontem, que outros casos do tipo estão acontecendo em todo o Estado do Rio de Janeiro.

Embora a Anatel afirme ainda não ter sido notificada sobre o caso acontecido com a Leste, a agência frisa que ” enviou ofício à SEPOL (Secretaria de Estado de Polícia Civil) e Secretaria de Estado de Polícia Militar, ambas do Estado do Rio de Janeiro, relatando a situação de agravamento de incidentes em prestadoras de telecomunicações e se colocando à disposição no que for necessário”. Ou seja, a agência admite que não se tratou de um caso isolado.

A agência frisou que recomenda a ” abertura de boletim de ocorrência em todos os casos, bem como que seja feito diálogo com os órgãos de segurança”. É importante ressaltar que a 81ª DP (Itaipu) vem, desde o ano passado, investigando os relatos de intimidações de bandidos a técnicos de empresas credenciadas.

Por fim, a Anatel frisa que, ainda que não tenha sido notificada da ocorrência, é necessário que os órgãos de segurança estaduais, no caso Polícia Militar e Polícia Civil, apurem as denúncias. “A Anatel tem atribuições de conceder outorgas à prestação dos serviços, regulamentar as regras de prestação dos serviços e fiscalizar o cumprimento de obrigações. A Anatel não recebeu notificação sobre o incidente. Trata-se de ocorrência que deve ser apurada pelos órgãos de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro”, diz a agência.

Investigação

A 81ª DP, por meio de imagens de câmeras de segurança da região, confirmou que um homem numa moto atirou o coquetel molotov no interior do pátio da central técnica. O delegado Fábio Barucke, responsável pela investigação, afirmou que solicitou imagens de câmeras do Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) para tentar identificar a motocicleta envolvida no atentado.

“Os veículos queimados, que eram de uma locadora e alugados pela empresa, foram periciados. Juntamos o laudo no Inquérito Policial. Uma moto aparece em uma imagem e uma pessoa, que sai da moto, lança a garrafa sobre o muro e atinge os veículos. Imagens no CISP foram solicitadas para verificar se conseguem localizar essa moto que apareceu”, explicou o delegado.

Empresa opta pelo silêncio

A Leste Telecom tem ganhado notoriedade por expor os casos em cartas abertas, divulgadas em suas redes sociais, como no caso das supostas intimidações, que teriam acontecido no final de 2021. Contudo, a prestadora ainda não se manifestou sobre o atentado. A reportagem de A TRIBUNA tentou obter um posicionamento da Leste por contato telefônico e dois endereços de e-mail diferentes, sem sucesso, até o momento.

Horas após o atentado, funcionários da empresa desocuparam o imóvel, carregando um caminhão baú e uma van com equipamentos que ficavam armazenados no local. A empresa não divulgou para onde os materiais foram levados. Assustados, funcionários preferiram não conversar com a reportagem. Existem relatos, ainda não confirmados, de colaboradores que teriam pedido desligamento, por receio de represálias.

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