Atenção é primordial para evitar acidentes com GNV

Raquel Morais –

Uma explosão de um cilindro de Gás Natural Veicular (GNV) no último sábado (08) em um posto de combustíveis no Colubandê, em São Gonçalo, trouxe à tona a importância do cuidado com esse tipo de equipamento. Na ocasião, uma mulher que estava dentro do carro morreu na hora e mais duas pessoas ficaram feridas. Especialistas no assunto reforçaram a atenção que deve ser dada para as instalações e vistorias dos cilindros em Niterói

Dados da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) apontam que o consumo de GNV cresceu 11% em janeiro, na comparação com o mesmo período de 2016. “Esse combustível é muito econômico, principalmente no meu caso, que pego estrada todo final de semana. Consigo gastar praticamente metade do valor no GNV comparado quando usava a gasolina”, comentou o comerciante Edson Raposo, de 53 anos.

A gerente da MR, em São Lourenço, explicou que na loja é vendido o kit gás, que varia de R$ 1.200 até R$ 2.800, dependendo da capacidade de armazenamento do cilindro. “Quando o cliente procura a loja sempre tomamos muito cuidado com todas as normas que temos que obedecer do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Após a instalação, o cliente deverá procurar a homologação do equipamento”, frisou Dayse Pereira, 35 anos.

Essa segunda etapa consiste no teste para aferição de todas as normas de instalação do Inmetro e da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). São analisadas as cintas de sustentação, suportes, direcionamento de vazamento e sistema de ventilação, por exemplo. Passando no teste o motorista vai receber um Certificado de Segurança Veicular (CSV), com validade de um ano. “Temos que conferir tudo do cilindro para podermos emitir esses documentos. É uma etapa fundamental e hoje mesmo (ontem) já reprovamos um cilindro que estava visivelmente deteriorado. Não aceitamos soldas, costuras, emendas e nem ranhuras, por exemplo”, explicou Marlon Marques, 29 anos, que é Inspetor em Mecânica de Segurança Veicular, e trabalha na Celera, também em São Lourenço.

O engenheiro mecânico Abraão Ângelo ressaltou a importância de respeitar as validades das permissões, conforme Portaria 30/2010 do Inmetro. “Esses veículos estão trabalhando com um equipamento de pressão de 200ubar, o que é uma pressão muito alta. Tem um equipamento de redução dessa pressão, que também tem que estar em perfeito funcionamento. Falta de cumprimento nas regras de segurança é a maior causa desses incidentes, que são raros, mas existem”, apontou.

Mesmo com as vistorias anuais previstas pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), os cilindros de GNV precisam de mais um teste, o conhecido reteste, que deve ser feito a cada cinco anos. O equipamento fica cerca de quatro horas passando por verificações hidrostáticos, que custam de R$ 140 a R$ 220. “O cilindro é feito de metal, temperado e esses testes levam ao limite do equipamento. Ele é colocado sob uma pressão de 300ubar, 100 a mais do que ele suporta. A liberação da água e do ar sob pressão acontece também de forma vagarosa, para ser observado o poder de dilatação e retração do cilindro. Ele não pode rachar, trincar ou apresentar nenhum tipo de alteração. Tudo acontecendo perfeitamente, é liberado o documento com validade de mais cinco anos”, explicou Dayse.

explosão em posto

RELEMBRE O CASO
No último sábado, um veículo explodiu enquanto abastecia com GNV em um posto na Rua José Mendonça de Campos, no Colubandê, por volta das 21h30min. Érica de Lima Thiengo, de 27 anos, morreu na hora, mas o acidente deixou Francisco José Gomes da Costa e Jorge Siqueira de Souza, dono do carro e frentista, feridos. O Corpo de Bombeiros encaminhou as duas vítimas para o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no mesmo bairro. Até o fechamento dessa edição o estado de saúde das vítimas não havia sido divulgado. A investigação está sendo feita pela 74ª DP (Alcântara).

O especialista em Gestão de Risco na Área de Gás e Petróleo, Gerardo Portela, analisou as imagens e acredita que houve um vazamento de gás dentro do veículo. Esse vazamento somatizado com outros erros, como permanência da pessoa no interior do carro, possibilidade do cilindro estar com vencimento expirado e pressão a mais liberada pela bomba do posto, piorou a situação. “Sabemos que explosão só acontece com junção de três elementos que são combustível, fonte de ignição e oxigênio. Foi um somatório de erros. O cilindro do carro foi instalado dentro da mala, o que acumula mais gás em caso de vazamento. Os faróis devem ser desligados pois são fontes de ignição, assim como equipamentos de energia, como rádio e carregadores de celular. Aguardamos o resultado da perícia”, analisou.

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