Associados da Beneficência Portuguesa aprovam ida à justiça para impedir leilão

Uma assembleia foi realizada, na noite de segunda (21), no Clube Português, pela Sociedade Portuguesa de Beneficência Portuguesa de Niterói com a finalidade de apresentar aos sócios detalhes do pedido de recuperação judicial da entidade, a ser protocolada na justiça. A medida tem como principais objetivos a o revigoramento da entidade, que possui mais ativos do que passivos; e a reativação do Hospital Santa Cruz, fechado desde 2013, impedindo que o seu prédio vá a leilão. Além da pretensão de reabrir a unidade, a ideia da diretoria é quitar o passivo trabalhista e previdenciário, que somam quase R$ 200 milhões.

A mesa do encontro foi composta pelo presidente, Pedro Archer; Secretario, Luiz Carlos Araujo Ferreira; o candidato a vice-presidente, Vitor dos Anjos Gonçalves; o presidente do Clube Português, Orlando Cerveira; e os advogados Bruno Gameiro e Denise Beck.

Os associados presentes aprovaram, por unanimidade, todos os itens da pauta: o pedido de recuperação judicial; a análise de apreciação e deliberação de infrações estatutárias do presidente do conselho deliberativo, por meio de uma moção de repúdio às atitudes dele nas últimas reuniões; e a ampliação da comissão eleitoral, de 3 pessoas para todos os sócios que desejarem se inscrever.

No dia 30 de março, a instituição vai realizar a eleições. As chapas poderão ser inscritas até o dia 28. Ao que tudo indica, a disputa ficará entre o grupo do atual presidente da diretoria, Pedro Archer; e o presidente do conselho deliberativo, Vinícius Nery.

De acordo com o advogado Bruno Gameiro, a entidade havia ingressado com uma ação judicial, com pedido de Tutela Antecedente, e pedido liminar de antecipação dos efeitos da recuperação judicial, mas houve, inicialmente, o indeferimento deste pedido, que não faz parte da ação principal a ser movida, cuja propositura foi aprovada na deliberação de ontem.

Sobre o pedido indeferido na Ação de Tutela Antecedente, a assessoria jurídica da entidade disse que já foi protocolado um Agravo de Instrumento perante o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. E Pedro Archer segue confiante de que a melhor solução para a instituição virá através da ação própria de recuperação judicial.

“A recuperação judicial pode ser uma plataforma para recuperação e reerguimento da Sociedade Portuguesa. Ela foi criada para viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica”, explicou.

Segundo Pedro Archer, presidente da Sociedade Portuguesa de Beneficência, com a recuperação judicial, quem estiver na gestão da Beneficência não vai poder sair da linha, já que vai um ter fiscal – um juiz – acompanhando passo a passo das contas.

“Nosso interesse é tudo às claras, todo esse acompanhamento. Isso tudo é pelos sócios e diretores. É um momento histórico (…). Um momento que a Beneficência está passando e quero junto ao grupo unir diversas famílias e todo mundo se unindo para salvar a Beneficência”, relatou

Na próxima segunda-feira (28), será realizada uma nova assembleia para deliberar sobre a aprovação das constas do Biênio apresentadas pelo Presidente da Diretoria Executiva, em razão do impedimento de prestação de contas pelo Presidente na reunião do conselho Deliberativo, cujos encontros, em 9 e 10 de março, não teriam alcançado sua finalidade em razão de discussões acaloradas e tumultos entre os presentes.

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