Assim como Maracanã, Caio Martins também passou por mudança de nome

Vítor d’Avila

Na última semana, a possível mudança de nome do Maracanã de Jornalista Mário Filho para Rei Pelé, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, surpreendeu os cariocas. No entanto, não é a primeira vez que isso acontece no Estado, já que, no início dos anos 2000, o mesmo aconteceu com o principal estádio de Niterói.

O popular Caio Martins teve, desde então, o nome do estádio modificado para “Mestre Ziza”, em homenagem ao craque niteroiense Zizinho, com a nomenclatura anterior sendo mantida para todo o complexo esportivo. A mudança não foi bem aceita, principalmente pelos botafoguenses, conforme explica Eduardo Gomes, pós-doutorando em Educação e Doutor em História pela UFRJ.

“No início dos anos 2000 teve uma votação na Câmara dos Vereadores que queria modificar o nome do estádio para ‘Mestre Ziza’, fazendo homenagem ao Zizinho, que foi jogador do Bangu, do Flamengo, um dos grandes nomes do futebol brasileiro, meia da Copa do Mundo de 1950 e que é originário da cidade de Niterói. O Botafogo tem a administração do estádio desde os anos 80 e ainda fazia jogos do time profissional no Caio Martins. O Zizinho, que foi homenageado, apesar de ser da cidade de Niterói, foi grande ídolo do Flamengo, arquirrival do Botafogo. Até por isso a torcida ignorou a mudança do nome oficial e continuou chamando de Estádio Caio Martins”, explicou Eduardo.

De acordo com o historiador, é possível traçar diferentes paralelos entre as mudanças de nome do Maracanã e do Caio Martins. Eduardo Gomes explica que há semelhanças e diferenças, especialmente no que diz respeito à identidade da torcida com as arenas.

“Várias percepções podem ser relacionadas em termo de semelhanças e diferenças. Maracanã tem proporções identitárias e de conhecimento para um público mais amplo, bem maior do que o Caio Martins. No caso do Maracanã, estão tentando valorizar uma imagem do Rei do Futebol, no caso do Caio Martins tinha uma identidade mais local de valorizar a imagem do Zizinho. Em ambas as situações, apesar de serem situações diferentes, a mudança de nome não reflete a identidade local dos torcedores que frequentam esse espaço. O Zizinho não representa a identidade dos botafoguenses ao mesmo tempo o Pelé não representa a identidade carioca como o próprio Mário Filho representa, por ser um grande ícone da imprensa carioca”, destacou.

Eduardo Gomes também ressaltou a importância histórica do nome da arena niteroiense. Caio Martins foi um escoteiro que se notabilizou por recusar socorro durante um acidente, em Barbacena, em Minas Gerais, para que outras vítimas mais graves fossem atendidas primeiro. Martins acabou não resistindo aos ferimentos.

“O nome é uma homenagem ao escoteiro que se chamava Caio Martins que, na adolescência, em um acidente em Minas Gerais, ele recusou assistência médica para ajudar outros feridos e veio a morrer horas depois, sendo considerado um dos heróis daquela situação por ter, literalmente, dado a vida por outras pessoas. Isso fez com que ele recebesse uma série de homenagens, uma delas foi seu nome estar no estádio, que hoje se chama Mestre Ziza, mas é popularmente conhecido como Caio Martins”, disse.

Por fim, em meio a essa confusão de nomes, Eduardo fala sobre qual a melhor forma para se chamar o estádio. O historiador lembra que, nem sempre o nome oficial será o mais popular. O que prevalece é a maneira com que os torcedores e frequentadores se identificam com aquele espaço.

“A melhor forma de chamar o Caio Martins, assim como qualquer estádio, não necessariamente é pelo nome oficial, que às vezes não expressa a identidade que o torcedor tem com aquele espaço. Mais do que o nome oficial, a melhor forma é como os torcedores se identificam com aquele estádio. Se os torcedores do Botafogo entendem que aquele estádio deve se chamar Caio Martins, pela questão da identidade, que assim seja”, concluiu.

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